
Um gigante asiático e um bloco econômico ajudam a explicar parte do movimento de alta expressivo registrado nas exportações de frango do Brasil. Na comparação do volume total embarcado pelo país em agosto deste ano com igual mês do ano passado, a alta é de 24,8% em volume e de 42,7% em receita, apontam dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
No acumulado de 2026, o cenário é igualmente de expansão. As 3,921 milhões de toneladas, representam alta de 15,5% em relação ao mesmo período do ano passado, e o faturamento de US$ 7,69 bilhões, avanço de 21,9% em igual comparação.
Para além do crescimento real de demanda, é necessário levar em consideração a base de comparação e um movimento recente relacionados a mercado importantes: China e União Europeia.
— Os resultados de agosto reforçam a retomada dos embarques e a capacidade de resposta da avicultura brasileira. Parte das altas registradas na comparação mensal, especialmente em mercados como China e União Europeia, ocorre sobre uma base impactada pelas suspensões temporárias verificadas após o episódio sanitário de 2025, já superado. Ao mesmo tempo, o crescimento consistente no acumulado do ano demonstra a força da demanda internacional, a diversificação dos destinos e a confiança dos mercados na qualidade e na segurança da carne de frango brasileira — avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Há ainda de ser considerado, nas exportações de 2026, o efeito de antecipação de compra da UE, em razão da suspensão anunciada (e em vigor desde o último dia 3). O apetite do bloco estava em alta, mas a intensidade veio depois do anúncio de que o bloco tinha tirado o Brasil dos aptos a exportar carnes.
Santin pondera que, mesmo descontando esse fator, os resultados são sustentados. Nem mesmo a ausência temporária da UE impactará o crescimento dos embarques brasileiros no ano, assegura:
— Fecharemos com crescimento independentemente da UE. No ano passado, ficamos quatro meses sem o bloco, seis sem a China e crescemos 6%.
Embarques de frango
- Em agosto: 492,634 mil toneladas, volume 24,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita dos embarques alcançou US$ 997,87 milhões, avanço de 42,7%.
- No acumulado do ano: foram 3,921 milhões de toneladas, crescimento de 15,5% sobre igual intervalo de 2025. A receita cresceu 21,9%, somando US$ 7,689 bilhões
- A China foi o principal destino em agosto, com 50,988 mil toneladas.
- Na sequência aparecem os Emirados Árabes Unidos, com 44,279 mil toneladas, alta de 35,9%; União Europeia, com 42,432 mil toneladas, avanço de 1.469,1%, Japão, com 41,795 mil toneladas, crescimento de 37,8%; Arábia Saudita, com 35,195 mil toneladas, elevação de 29,9% e África do Sul, com 25,590 mil toneladas, volume 0,8% inferior ao registrado em agosto de 2025.
- No caso da China e da UE o crescimento percentual fora da curva é reflexo da base de comparação (já que no ano passado ambos tinham suspendido as compras em razão do caso de influenza aviária).




