
Levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apontou um cenário diferente dos números oficiais para as propostas de vendas do setor na 49ª Expointer, de alta de 44,4%. Conforme a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, as intenções de compras tiveram uma redução de 25% na comparação com a feira do ano passado.
Presidente da câmara, Pedro Estevão Bastos entende que os números refletem o cenário atual, "bastante desafiador".
— Está compatível com o que está acontecendo com o mercado — disse à coluna.
É uma referência às estatísticas consolidadas da Abimaq, que apontam uma redução no faturamento do mercado interno na ordem de 26% no acumulado até julho, em relação ao mesmo período do ano passado. Bastos acrescentou que outras feiras grandes também tiveram redução no resultado — na Agrishow, foi de 22%, com R$ 11,4 bilhões.
No balanço oficial da feira, a soma das propostas feitas foi de R$ 5,46 bilhões, cifra que representa aumento de 44,4% na comparação com o resultado de 2025. Perguntada sobre a alta em meio ao contexto atual, a diretora-executiva do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers), Ana Paula Werlang, respondeu, na ocasião, à coluna:
— A Expointer é uma grande feira e é a primeira feira após o Plano Safra. Então, as vendas acontecem muito por conta disso.
Outros fatores apontados para o resultado são a base de comparação (no ano passado houve uma redução importante ainda como reflexo da enchente e de efeitos da estiagem), a melhora de preços da soja e a venda que é feita para produtores de outros Estados:
— O percentual de máquinas que fica no Rio Grande do Sul é pequeno. A gente vende muito mais para todo o Brasil. E temos supersafras no Brasil.
Ana pontuou, no entanto, que "o agricultor que compra máquinas também está um pouco temerário, porque embora os bancos tenham crédito disponível, não está chegando a quem precisa".
O Simers ressaltou, em nota, que "os números representam intenções de compra e não necessariamente negócios já efetivados, faturados ou entregues". Acrescenta que "o levantamento é construído a partir das intenções de compra coletadas junto aos principais agentes financeiros que atuaram na Expointer, permitindo acompanhar a movimentação de crédito e a disposição dos produtores para realizar novos investimentos".
— Esse crescimento não apaga as dificuldades que a indústria e o produtor vêm enfrentando. Ele mostra, principalmente, que existe demanda represada e que há espaço para uma retomada quando as condições financeiras permitem — completou Claudio Bier, presidente do Simers.




