
Os prognósticos atualizados indicam que o El Niño desta temporada tem uma intensidade fora do comum: há 75% de chances de ser o mais forte desde 1950. Em se tratando de Rio Grande do Sul, o fenômeno costuma trazer chuva em excesso e aparece como fator de risco para a produção.
Do lado do alerta ficam sobretudo lavouras de inverno como o trigo. Em contrapartida, há potenciais de ganho em anos de El Niño para algumas culturas, aponta relatório da Bateleur. David Freitas, sócio da assessoria estratégico-financeira observa que o fenômeno, no Brasil, é "super heterogêneo". Regiões como a da Matopiba e do Centro-Oeste são ameaçadas pela previsão de de seca, com impacto em produtividade. No RS, é o inverso, o que para a soja é bom.
— É a chance de recuperar produtividade e aproveitar a tendência de preço mais alto — avalia Freitas.
Dados do relatório mostram que, entre 2010 e 2015, foram seis anos-safra com El Niño, sete com La Niña e três de neutralidade. Para a soja, a variação da produtividade em relação à tendência da cultura, nesse período, foi de +8% em anos neutros, +5,5% nos de El Niño, e -8,1% nos de La Niña.
Para que a tendência de influência positiva se concretize, é preciso desviar de riscos que também rondam os produtos de verão. A chuva em excesso pode atrasar o plantio, trazer ameaças no período da floração e complicar a colheita.
— Vai depender do momento que o El Niño vai acontecer. Se conseguirmos escapar desses momentos mais complexos, acho que temos uma oportunidade dentro do esperado — completa o sócio da Bateleur.





