
Antes mesmo da abertura dos portões, é possível dizer que a 49ª Expointer se consolidará como uma daquelas grandes marcas ao longo da história do evento, sem correr o risco de ser exagerada. A certeza vem do ineditismo da feira em buscar a certificação carbono neutro.
A compensação das emissões geradas em atividades como o consumo de luz, de água, na montagem e desmontagem da exposição carrega um simbolismo importante. Se é verdade que não se poderá neutralizar a pegada de carbono da totalidade da Expointer, também é que o selo estampa uma nova realidade global. Diante das mudanças climáticas, o mundo tem cobrado não só ações, mas também confirmações de que se está buscando uma solução para o problema.
Deixar a contribuição da feira para isso estampada endossa o entendimento do setor de que essas ações são importantes. Sozinha, a certificação não resolve o problema, mas como parte de um conjunto de ações adotadas dentro e fora da porteira, tem o potencial da transformação desejada.
— Ligar a feira ao processo de compensar as pegadas de carbono é importante. Ter créditos que compensem (as emissões) em um evento tão grande, é uma iniciativa bem interessante — avalia Leomyr Girondi, diretor-presidente da CRVR.
A empresa firmou a parceria com o Estado para a neutralização das emissões (com a doação de créditos de carbono gerados pela companhia nas suas atividades) não só na exposição. Sendo a Expointer, desde a sua origem, um espaço para a interação do público rural com o urbano, essa iniciativa promete ser uma inovação capaz de aproximar ainda mais esses dois mundos.
Aliás, a compensação dos visitantes só não será feita porque não é viável, uma vez que não há credenciamento dos participantes. Mas aqueles que quiserem saber o quanto a sua ida até a exposição gerou de emissões, dentro da máxima de que cada um deve entende o seu papel, totens e QR codes oferecerão essa oportunidade.
E há ainda, dentro da feira, o Fórum Gaúcho de Mudanças Climáticas, esse sim, com cadastramento dos participantes, que também terá as emissões compensadas.
Mais do que a quantidade compensada — o inventário, a ser concluído após a exposição, vai detalhar isso e haverá uma certificação de carbono neutro — é a iniciativa que conta. E faz desta 49ª edição um capítulo especial.
É uma espécie de entrada na "nova era" global. Espelho que é da produção, a feira realizada no parque Assis Brasil, em Esteio, não poderia ficar de fora.
A edição de 2026 também marca a abertura da contagem regressiva para a emblemática 50ª edição a ser celebrada em 2027. A denominação de exposição internacional veio em 1972, mas até 1984, era bianual. É por isso que não são 50 anos e, sim, 50 edições.
Uma feira que começou na Capital, cresceu, mudou de endereço e precisou buscar mais espaço na área batizada de parque Assis Brasil, em Esteio. Uma mudança ousada para a época (1970), mas que consolidou esse grande palco de tradição e inovação agropecuária gaúcha.




