
Para um Estado que tem sua economia alicerçada na atividade agropecuária, com um efeito sobre o PIB que se multiplica quando considerados os negócios que se somam às lavouras, o agro apareceu de forma tímida no debate entre os pré-candidatos ao governo do Estado. Realizado na manhã desta quinta-feira (6), no Teatro da PUCRS, em Porto Alegre, o evento da Rádio Gaúcha contou com a presença de Juliana Brizola (PDT), Gabriel Souza (MDB), Marcelo Maranata (PSDB) e Luciano Zucco (PL).
Nos diferentes blocos e interações, o setor apareceu discretamente nas colocações dos postulantes ao Piratini. A prorrogação do Funrigs, fundo criado para a reconstrução do Estado, vigente até maio de 2027, apareceu na fala de Gabriel Souza e Luciano Zucco.
Souza reiterou a ideia de utilizar os recursos "para proteger as lavouras das questões climáticas, com uma grande política de irrigação e de proteção do solo".
A necessidade de consolidação de um fundo constitucional para o RS, a exemplo do que tem o Nordeste, foi citada por Juliana, que também mencionou os efeitos nocivos da taxação ao Estado.
Entidades representantes de diferentes segmentos foram convidadas a estar presentes e oito delas, sorteadas para fazer perguntas. O Instituto Desenvolve Pecuária não caiu na seleção, mas tinha as perguntas prontas, como mostrou à coluna a presidente da entidade, Antônia Scalzilli (leia abaixo).
O que disseram os colunistas sobre o debate
— Parece que até hoje não se entendeu a importância e a relevância do agro para o Rio Grande do Sul — justificou ela, sobre a escolha dos questionamentos.
Assista ao comentário da coluna
Perguntas
Instituto Desenvolve Pecuária
- O Rio Grande do Sul reúne algumas das maiores vantagens competitivas do mundo para produzir carne de qualidade: campo nativo, pastagens de qualidade, tradição pecuária, predominância de raças britânicas e condições únicas para atender mercados de maior valor agregado. Apesar disso, o Estado ainda não transformou essas vantagens em uma estratégia consistente de desenvolvimento, permanecendo, em grande medida, inserido em uma lógica de comercialização de commodity, quando poderia competir por identidade, diferenciação, qualidade e valor. Qual é o projeto do seu governo para mudar essa realidade e transformar a pecuária de corte em um dos principais vetores de desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul? Que políticas pretende implementar para ampliar a agregação de valor, fortalecer a identidade da carne gaúcha, reposicionar o Estado nos mercados mais exigentes e estimular uma evolução dos sistemas produtivos dentro das propriedades rurais?
- E, por fim, o senhor(a) assume o compromisso de nomear para a Secretaria da Agricultura um gestor de reconhecida qualificação técnica, profundo conhecimento da pecuária gaúcha e capacidade comprovada de liderança, independentemente de critérios de natureza política ou de composição partidária?
Fetag-RS
- A agricultura e a pecuária familiar respondem por 40% do Valor Bruto da Produção (VBP) do RS, mesmo ocupando apenas 25% da área agrícola do estado. Esses números evidenciam eficiência no uso do solo e seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social dos municípios gaúchos. Diante dos impactos das mudanças climáticas, dos desafios da sucessão da juventude rural e da necessidade de ampliar a competitividade das famílias agricultoras, quais serão os seus compromissos para ampliar a renda e o desenvolvimento no meio rural?












