Os pedidos de recuperação judicial do agronegócio cresceram 22% no 1º trimestre deste ano, em relação a igual período de 2025, e 16% na comparação com o trimestre anterior. É o que apontam dados divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Serasa Experian. Entram no levantamento, as solicitações feitas por produtores rurais pessoa física, pessoa jurídica e empresas relacionadas ao setor.
Em linhas gerais, a análise é de que a combinação de fatores como crédito mais seletivo, manutenção de custos elevados e maior nível de alavancagem, continuou afetando o fluxo de caixa no campo. Na prática, o que se viu foi uma retomada do crescimento dos pedidos, mas ainda não nos patamares mais elevados do ano passado.
— A alta ocorreu principalmente entre produtores que atuam na forma de pessoa jurídica, de 155 para 196 (na comparação com o 4º trimestre de 2025), e empresas relacionadas ao setor, de 70 para 96. Mostra uma retomada dos pedidos em um ambiente que ainda apresenta riscos elevados e não de uma trajetória de crescimento já confirmada — pondera Frederico Poleto, gerente de ciência de dados agro da Serasa Experian.
No ranking de número de pedidos por Estado, o Rio Grande do Sul está empatado, na sexta posição, com Tocantins. Questionado pela coluna sobre o fato de o RS ter sido duramente atingido por sequência de perdas, mas não figurar no topo dos com maior número de solicitações, o gerente explica:
— É uma quantidade absoluta, não é uma taxa calculada por quantidade de produtores. Não mede incidência relativa.
O estudo não traça relação causal com condições climáticas, mas Poleto observa que "perdas de produtividade e receita provocadas por eventos extremos são um importante vetor de pressão sobre o fluxo de caixa.
— Esse efeito tende a ser mais relevante quando ocorre simultaneamente a custos de produção mais elevado, maior alavancagem e crédito seletivo, o que é o caso. A recuperação judicial normalmente aparece ao final de uma sequência de dificuldades e pode ocorrer com defasagem à perda de safra — completa.




