
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O número de imóveis rurais levados a leilão disparou no Brasil nos últimos anos, em meio a um cenário de maior pressão financeira sobre produtores. Juros elevados, mudanças nas condições do crédito rural, preços de commodities em baixa, custos de produção em alta e problemas climáticos têm dificultado o cumprimento das obrigações financeiras no campo.
— Pode-se dizer que foi uma tempestade perfeita — resume André Figueiredo, fundador da Leilão Imóvel, uma das principais plataformas de comercialização de imóveis em leilão no país, que representa 95% do mercado.
Em 2025, foram 14,1 mil imóveis rurais leiloados, envolvendo R$ 78,6 bilhões. Valores 30,6% e 88,9% superiores, respectivamente, aos do ano anterior.
— Neste último ano, é possível ver que o faturamento cresceu mais do que os leilões em si. Disso, dá pra depreender que a inadimplência também passa a ser um problema de grandes propriedades — acrescenta Figueiredo.
E tudo indica que, este ano, o movimento de alta se mantenha. Até fevereiro de 2026, já eram 4,5 mil leilões e R$ 16,3 bilhões.
No Rio Grande do Sul, foram 685 leilões em 2023, 793 em 2024 e 1.087 em 2025. Até fevereiro deste ano, já eram 398.
Tipo de leilão
O tipo de leilão também dá uma pista sobre a deterioração financeira. Existem dois grandes caminhos para isso: o judicial, que pode ocorrer em casos como falência ou cobrança de dívidas trabalhistas, e o extrajudicial, comum em situações envolvendo dívidas bancárias.
Conforme os dados da Leilão Imóvel, em 2024, foram aproximadamente 1,3 mil, contra 9,2 mil judiciais. Em 2025, os extrajudiciais passaram para 2,4 mil, enquanto os judiciais chegaram a 11,5 mil. Até fevereiro de 2026, já havia 1,3 mil leilões extrajudiciais e 3 mil judiciais.
Para Figueiredo, o avanço dos extrajudiciais pode ser um indicativo de que mais produtores estão recorrendo ao crédito bancário e enfrentando dificuldades para honrar os compromissos.
Os dados
Brasil
2023: 10 mil imóveis leiloados e R$ 32 bilhões negociados
2024: 10,8 mil imóveis leiloados e R$ 41,6 bilhões negociados
2025: 14,1 mil imóveis leiloados e R$ 78,6 bilhões negociados
2026 (até fevereiro): 4,5 mil imóveis leiloados e R$ 16,3 bilhões negociados
Rio Grande do Sul
2023: 685 imóveis leiloados
2024: 793 imóveis leiloados
2025: 1087 imóveis leiloados
2026 (até fevereiro): 398 imóveis leiloados
Fonte: Leilão Imóvel


