
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Na tentativa de reduzir os prejuízos provocados pelas chuvas de granizo, produtores têm apostado em uma tecnologia ainda pouco difundida no Brasil: os canhões antigranizo. O equipamento, que ganhou visibilidade nas redes sociais e já é usado em vinhedos e pomares, promete diminuir danos causados pelas chamadas "chuvas de pedra". A eficácia da tecnologia, no entanto, divide a comunidade científica.
Entre os pioneiros na utilização do canhão está a Vinícola Geisse, de Pinto Bandeira, na Serra, que instalou o equipamento nos seus 50 hectares em 2023. O investimento foi de R$ 700 mil. Diretor e enólogo-chefe da vinícola, Carlos Abarzua explicou à coluna que a empresa adquiriu a tecnologia para proteger a sua matéria-prima, que "é incalculável":
— Para nós, a uva é uma joia. Qualquer perda causada por granizo pode comprometer toda a produção.
O município, vale lembrar, possui uma grife para os seus espumantes. É a Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem (DO), selo que protege o nome de uma região cujos produtos ou serviços têm qualidades exclusivas devidas ao meio geográfico.
Renato Pasin, representante comercial da fabricante espanhola SPAG no Brasil e América Latina, marca do canhão antigranizo utilizado pela Geisse, informou à coluna que, atualmente, existem mais de 40 canhões instalados em lavouras, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em Minas Gerais.
Como funciona
- O sistema funciona por meio de explosões controladas de uma mistura de gás acetileno e oxigênio dentro de uma câmara.
- A explosão gera uma onda de choque sonora que é direcionada para a atmosfera.
- Essa onda alcança as camadas da nuvem onde os cristais de gelo estão se formando, dificultando seu crescimento.
- Em vez de grandes pedras de granizo, a precipitação chega ao solo na forma de chuva ou pequenos fragmentos de gelo.
- Durante uma tempestade, o equipamento pode realizar um disparo a cada sete segundos.
- Segundo o meteorologista da Secretaria Estadual da Agricultura, Flávio Varone, a tecnologia já é utilizada por alguns produtores, principalmente em áreas de maior valor agregado, como parreirais e pomares de maçã.
- Cada equipamento protege uma área aproximada entre 60 e 90 hectares.




