
Aos 28 anos, Luiza Alves de Assis acaba de assumir a presidência da Associação Riograndense de Floricultura (Aflori) para o período 2026-2028. É a mais jovem mulher a assumir a função. Acumula 10 anos de experiência com a Casa da Flor, em Dois Irmãos. À coluna, ela falou sobre transformações e prioridades do setor. Veja trechos da conversa e ouça a entrevista completa ao Campo e Lavoura.
Quais são os maiores desafios do setor?
O principal desafio que viemos enfrentando, nos últimos anos, são as mudanças climáticas. A produção de flores sofre muito com isso. Sempre buscamos ajudar o produtor a melhorar, com conhecimentos, informações técnicas para diminuir todas essas perdas que o clima tem trazido. O inverno acaba sendo um período com muitas chuvas, que influenciam a produção. No verão, acaba tendo 40 ºC, que também influencia... O segundo ponto mais urgente são os custos de produção. Temos as guerras influenciando o custo de matéria-prima, então precisa se adequar, conforme o possível para também não atingir a venda para o consumidor final. Acabamos focando bastante nisso. Estamos sempre atentos às mudanças do mercado ou ao perfil do consumidor. Tem períodos que busca flores com maior valor agregado, outros que busca uma flor mais como uma lembrança.
Como o comportamento do consumidor influencia a produção de flores? Qual a tendência neste momento?
Na pandemia, o pessoal acabou ficando em casa, cuidando do seu jardim, quis florear a casa, trazer essa beleza das flores, e esse é um movimento que veio para ficar, então, ainda tem essas tendências. Mas o que notamos? A questão do paisagismo, da ornamentação de jardins, grandes projetos cresceu muito. Principalmente depois da enchente, que teve devastações em cidades, e o pessoal buscou o paisagismo para trazer uma beleza, dar um outro ânimo para locais que foram atingidos. O pessoal busca as plantas ornamentais e também as flores anuais, que durem o ano todo. Demandam aquele cuidado como a rega, a adubação, mas conseguem manter florida por mais tempo. Vemos essa crescente de coisas mais anuais, mais permanentes mesmo.
Em relação às vendas, quais os momentos mais importantes do ano para as flores?
Tem datas que são clássicas, como o Dia dos Namorados, que trabalha basicamente a rosa, as flores de corte, o dia das mães traz um pouco mais de orquídeas, de flores com maior valor agregado. Acho que são os nossos carros chefe de datas comemorativas. Depois, como associação, participamos de grandes eventos no Estado, como a Expointer, a Aflori tem um espaço. São eventos também que trazem uma grande visibilidade para o setor, e as vendas aumentam bastante.
E quais as projeções para o ano?
Temos todas essas questões de desafios, de custo de produção, mas a projetamos, sim, um crescimento para o ano. É difícil divulgar uma porcentagem, mas trabalhamos com um leve crescimento no setor.
Estamos falando de um ou dois dígitos de crescimento?
Trabalhamos com um dígito, sim.
Como avalia o desafio de estar à frente da entidade, sendo a mulher mais jovem a ocupar a função?
Já faz 10 anos que eu estou à frente da Casa da Flor, mas comandar uma associação acaba sendo um desafio maior ainda...com todo o meu empenho vou sempre buscar melhorias e benefícios para o nosso setor, um setor tão bonito das flores, que todo mundo ama.



