
Número 1 no ranking dos itens do agro brasileiro mais afetados pela nova tarifa dos Estados Unidos, o sebo bovino faz parte de um setor que transforma resíduos em novos produtos. É a chamada indústria da reciclagem animal, que agora aposta em duas frentes para tentar reverter o impacto da medida: entrar na lista de exceção e redirecionar as vendas.
— Não é uma coisa que não se possa fazer, mas não é de uma resposta automática — diz Décio Coutinho, presidente da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), com relação a novos destinos no Exterior.
Sobretudo pelo peso do mercado americano quando se trata do sebo bovino. No ano passado, 91,8% de tudo o que o setor de reciclagem animal exportou para os EUA foi desse item. E os embarques para o país norte-americano de sebo bovino representaram 42% de toda a venda externa dessa indústria brasileira.
Números que ajudam a entender que trocar de destino não é algo instantâneo. Coutinho lembra que após o primeiro tarifaço, de 50%, no ano passado, passou 32 dias na Ásia buscando a diversificação. Junto com o Ministério da Agricultura e a Apex-Brasil, foram abertos os mercados de Japão, Malásia, Singapura e Filipinas.
— São países que estão demandando, mas aí caímos no problema da logística. Então, esse processo vai caminhar lentamente até conseguirmos tornar esse um fluxo constante — completa o presidente da Abra.
Ele entende que a liberação de crédito pela União para os setores impactados — R$ 18,5 bilhões — é importante para evitar a perda de fôlego enquanto alternativas são buscadas:
— Vem em hora bastante interessante, vamos para praticamente um ano de penúria com o tarifaço dos Estados Unidos.
Do batom ao biodiesel
A reciclagem animal tem como matéria-prima resíduos da indústria de proteína animal (de bovinos, aves, suínos, peixes). Anualmente, segundo a Abra, são recolhidas 14 milhões de toneladas, o que corresponde a um terço de toda a capacidade de aterro sanitário do Brasil.
O sebo bovino exportado aos EUA é usado para produção de biodiesel. E do processamento resulta também farinha usada na ração animal.
— Nosso produto está na casa de todo mundo no dia a dia: na pasta de dente, no sabonete, no frango, no suíno que vão à mesa e foram alimentados com farinha — resume o dirigente.





