
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Os olivais gaúchos nunca produziram tanto. Depois de dois anos marcados por frustrações climáticas, a safra de 2026 levou o Rio Grande do Sul a um novo patamar: foram 1,17 milhão de litros de azeite de oliva, volume mais do que o dobrou do antigo recorde, de 580 mil litros, registrado em 2023.
Os números, divulgados nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), também fizeram o Brasil alcançar a maior produção da história, com 1,4 milhão de litros. Sozinho, o Rio Grande do Sul respondeu por 82% desse total.
Além do tempo, o coordenador do Programa Estadual de Desenvolvimento da Olivicultura (Pró-Oliva) da Secretaria Estadual da Agricultura, Paulo Lipp, diz que o amadurecimento da tecnologia desenvolvida para adaptar a cultura às condições gaúchas também colaborou:
— Nos primeiros anos trabalhávamos com uma tecnologia trazida da Espanha e tivemos que aprender a adaptá-la ao nosso clima e aos nossos solos. Hoje temos técnicos e produtores que conhecem muito melhor o cultivo da oliveira no Rio Grande do Sul. Isso aparece na produtividade.
Soma-se a isso a entrada em produção de pomares plantados nos últimos anos, que agora começam a atingir a fase de maior rendimento. Atualmente, o Estado possui 6,5 mil hectares cultivados com oliveiras. Desse total, aproximadamente 20% ainda não atingiram o potencial máximo de produção, já que muitas árvores têm menos de dez anos.
— Ainda temos muitos pomares jovens. Existe espaço para aumentar a produção naturalmente, conforme essas plantas amadurecem — acrescentou Lipp.
Setor amadureceu junto com os olivais
Para o secretário estadual da Agricultura, Márcio Madalena, o recorde simboliza a consolidação de uma cadeia que começou a ser estruturada há pouco mais de duas décadas:
— Há pouco tempo trabalhávamos com projeções inferiores a um milhão de litros. Hoje ultrapassamos essa marca justamente quando os azeites gaúchos acumulam premiações internacionais. Não é apenas crescimento de produção, é o reconhecimento da qualidade do nosso azeite.
Segundo ele, o desenvolvimento ocorreu de forma organizada, envolvendo produtores, pesquisadores, entidades do setor e poder público, permitindo que o Estado se consolidasse como referência nacional tanto em quantidade quanto em qualidade.
Para a vice-presidente do Ibraoliva, Solange Neves, o próximo passo da cadeia passa por ampliar o consumo do azeite brasileiro e ensinar o consumidor a reconhecer um produto de qualidade. O mercado continua amplamente abastecido por produtos importados.
— O mercado brasileiro absorve toda a nossa produção e ainda consome muito mais do que produzimos. O desafio agora é mostrar ao consumidor o que é um azeite extra virgem de qualidade e fortalecer a presença do produto nacional nas prateleiras — disse.
A safra no Brasil
- Rio Grande do Sul está na primeira posição, com produção de 1,17 milhão de litros de azeite de oliva
- Região da Mantiqueira aparece na segunda posição, com 250 mil litros
- Santa Catarina registrou 10 mil litros
- Seguida pelo Paraná, com 2,5 mil litros
- E pelo Espírito Santo, com 1,5 mil litros




