
A inadimplência no agro no Brasil fechou o primeiro trimestre referendando um movimento de alta que preocupa. Dados da Serasa Experian mostram que o percentual nacional foi de 8,8%. É o maior para um trimestre, desde o início dos boletins voltados ao setor, no final de 2023.
— É maior valor observado para o agro até o momento, portanto merece atenção — alerta Frederico Poleto, gerente de ciência de dados agro da Serasa Experian.
Entre os Estados, chama a atenção o fato de que o Rio Grande do Sul, que coleciona uma sequência de problemas climáticos, tenha o menor índice para o trimestre: 5,8%. Também na parte de da tabela das menores taxas, Santa Catarina e Paraná chegam a 6,3%. O que não quer dizer que estejam em condição tranquila, observa Poleto:
— Não significa ausência de pressão financeira nesses Estados. Todo eles têm apresentado um crescimento relevante de inadimplência agro no último ano, embora um pouco a abaixo da média nacional.
No Brasil, a alta foi de 1,3 ponto percentual na comparação do primeiro trimestre deste ano com o de 2025. No RS, foi de 1,2 p.p.
O levantamento leva em consideração dívidas vencidas há mais de 180 dias, de pessoas físicas. Não são considerados fatores como renegociação, perfil de carteira, composição dos produtores, relacionamento com cooperativas, instituições financeiras, entre outros, o que pode ajudar a explicar esse menor percentual dos gaúchos.
O gerente de ciência de dados agro da Serasa Experian cita ainda como motivos para o percentual do RS o fato de ter uma maior adesão ao seguro rural, em relação a outros Estados e a maior tradição agropecuária. O maior nível de cooperativismo fos gaúchos é outro fator importante, por gerar "maior proximidade operacional e renegociação preventiva".
— O ponto de atenção neste momento é a tendência de alta, o que reforça a necessidade de análises mais precisas de risco de crédito para a população rural — acrescenta Poleto.






