
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Diferentemente do tarifaço anterior, o novo pacote de sobretaxas dos Estados Unidos é mais difícil de ser revertido. A avaliação é do assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Renan Hein dos Santos.
Segundo ele, a principal diferença está na base jurídica da medida:
— O último caiu na Justiça por ter sido uma decisão presidencial de Donald Trump. Agora, há um embasamento legal dentro da legislação comercial americana.
O novo tarifaço foi confirmado na quarta-feira (16), quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgou a lista definitiva dos produtos brasileiros que passarão a pagar uma sobretaxa adicional de 25% para entrar no mercado norte-americano. A cobrança começa a valer no próximo dia 22.
A medida foi conduzida dentro do rito da chamada Seção 301, mecanismo da legislação dos EUA que permite ao governo investigar práticas comerciais de outros países consideradas injustas ou discriminatórias e aplicar tarifas como forma de retaliação. Entre as justificativas apresentadas pelos americanos estão temas como comércio digital, meios de pagamento eletrônico como o pix, etanol, propriedade intelectual e desmatamento ilegal.
Mais de 360 manifestações escritas e 77 testemunhas participaram de audiência pública realizada no início de julho, incluindo representantes dos setores de etanol, milho, pecuária bovina, açúcar e siderurgia dos Estados Unidos.
A preocupação no agro é ampla. Além de ser mais difícil de ser derrubada, é cumulativa, ou seja, entra sobre os atuais 10% em produtos como o fumo. Nota técnica divulgada pela Farsul nesta quinta-feira (16) aponta que 32,7% das exportações brasileiras destinadas aos EUA foram alcançadas pela medida, o equivalente a US$ 3,74 bilhões. No caso do agro gaúcho, o impacto é ainda maior: 70,4% das vendas ao mercado americano, ou cerca de US$ 541 milhões, ficaram dentro do tarifaço.
Para Santos, desta vez houve uma calibragem mais cuidadosa por parte dos americanos:
— Os Estados Unidos preservaram itens em que têm dificuldade para encontrar fornecedores ou em que o consumidor sentiria um impacto maior no bolso.
Entre os produtos que ficaram de fora da sobretaxa estão café, suco de laranja e carne bovina. Já na relação dos itens que entraram há fumo, madeira serrada e sebo bovino.
O novo cenário, continua o assessor de Relações Internacionais da Farsul exigirá renegociação de contratos, compartilhamento de custos com importadores americanos, redução de margens para preservar mercado e, em alguns casos, a busca por novos destinos para as exportações.
— É um cenário bastante negativo — resume Santos.


