
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Após mais de 360 manifestações escritas e uma audiência pública com 77 testemunhas, os Estados Unidos divulgaram, na quarta-feira (15), a aguardada lista definitiva dos produtos brasileiros que passarão a pagar uma sobretaxa de 25% para entrar no mercado norte-americano a partir de 22 de julho — e daqueles que ficaram de fora da medida.
Com a publicação da decisão pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou, nesta quinta-feira (16), uma nota técnica que dimensiona os impactos para o agronegócio gaúcho e brasileiro. E, para o Estado, conforme a coluna já havia publicado, eles são maiores. O levantamento mostra que 70,4% das exportações do setor do Estado para os EUA permanecem sujeitas à sobretaxa, mais que o dobro da média nacional, de 32,7%. O ranking leva em consideração a receita acumulada de 2025.
Segundo o assessor de Relações Internacionais da Farsul, Renan Hein dos Santos, a maior exposição do Rio Grande do Sul se explica pela composição da pauta exportadora. Enquanto produtos relevantes para outros Estados, como café, suco de laranja e carne bovina, ficaram entre as principais exceções, o Estado concentra suas vendas em itens que seguiram tarifados, como fumo, madeira, calçados de couro e sebo bovino (veja o ranking abaixo).
— Os Estados Unidos fizeram um exercício para identificar produtos brasileiros mais difíceis de substituir em suas cadeias produtivas e ampliaram as exceções justamente nesses casos. O Rio Grande do Sul acabou ficando mais exposto nisso — explica Santos.
Os produtos mais afetados do agronegócio gaúcho
- Fumo não manufaturado (Virgínia): em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 122 milhões. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 30 milhões
- Madeira serrada (Pinus): em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 81 milhões. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 20 milhões
- Calçados de couro: em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 62 milhões. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 16 milhões
- Fumo não manufaturado (Burley): em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 49 milhões. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 16 milhões
- Sebo bovino: em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 33 milhões. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 8 milhões
Os produtos mais afetados do agronegócio brasileiro
- Sebo bovino: em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 416. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 104
- Obras de marcenaria/carpintaria de madeira: em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 248. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 62
- Madeira perfilada (conífera): em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 234. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 59
- Madeira compensada: em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 220. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 55
- Madeira serrada (Pinus): em 2025, as exportações gaúchas para os EUA renderam US$ 212. Com a tarifa de 25%, o impacto potencial chega a US$ 53
Fonte: Farsul


