A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Muito antes de conquistar consumidores dispostos a pagar mais por uma xícara diferenciada, o setor do café precisou aprender a reconhecer a própria qualidade. Classificar grãos, identificar defeitos, descrever aromas e sabores, criar padrões e certificações. Agora, chegou a vez da erva-mate gaúcha olhar para esse caminho.
Uma missão técnica formada por 11 representantes do setor no Rio Grande do Sul passou uma semana em Varginha, Minas Gerais, para conhecer iniciativas que transformaram o café mineiro em referência de qualidade. A viagem reuniu integrantes da Secretaria da Agricultura, Sebrae-RS, Emater, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Associação dos Produtores e Parceiros da Erva-Mate do Alto Taquari (APPEMAT), indústrias e produtores.
O roteiro incluiu o programa Certifica Minas, o Centro de Excelência em Cafeicultura do Sistema Faemg Senar, a Fundação Procafé, a Associação Brasileira de Cafés Especiais e empresas que atuam na classificação, armazenamento e exportação de café.
A ideia nasceu a partir de uma provocação do próprio setor ervateiro, contou à coluna Jackson Brilhante, engenheiro florestal na Secretaria Estadual da Agricultura:
— Vimos nisso uma oportunidade de nos espelhar em uma cadeia que vem evoluindo há muito tempo para incorporar conceitos que ajudem a aprimorar o conhecimento sobre a erva-mate, refinar a qualidade da matéria-prima e abrir novas possibilidades de negócio.
Uma das entidades que incentivaram a iniciativa foi a Associação dos Produtores de Erva-Mate do Alto Taquari (Atemate), região que reúne mais de dois mil pequenos produtores e conduz um processo para obter uma Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem.
Para Ariana Maia, integrante da associação, compreender como o café construiu seu sistema de certificação pode acelerar um trabalho que já está em andamento no setor ervateiro:
— Estamos estudando os aspectos sensoriais da erva-mate do Alto Taquari em parceria com a UFRGS para identificar aromas e sabores característicos do nosso território. O café, o vinho e o azeite já trabalham com esses atributos. Por que a erva-mate também não pode evoluir nesse sentido?
No caso do Alto Taquari, o levantamento científico para a IG está na fase final e busca demonstrar como solo, clima e manejo influenciam as características da erva-mate produzida na região. A expectativa é criar uma espécie de "rota de aromas e sabores", permitindo que o consumidor reconheça a origem e as particularidades de cada produto.


