
O Rio Grande do Sul está em atenção total por conta das previsões de chuva forte e temporais para o final de semana. Para além desse cenário pontual, as condições trazidas pela influência do El Niño seguirão sendo um desafio às cidades e ao campo.
Sobretudo quando se analisa o histórico recente de anos em que a produção se desenvolveu sob a sombra do fenômeno. Analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Giraldo pontua que anos análogos, ou seja, com El Niño, indicam que o principal sinal o excesso de chuva no Estado. A análise desses episódios ajuda a identificar alguns padrões de como podem ficar as precipitações e as temperaturas:
— Para a agricultura, algumas vezes não basta saber quanto vai chover, é fundamental saber quando e como essa chuva será distribuída através do tempo.
Para as culturas de inverno, esse excesso de umidade trazem efeitos colaterais importantes.
— As culturas de inverno estão entre as mais expostas ao excesso de chuvas associado ao El Niño no sul do país. O período de maior risco tende a ocorrer entre setembro e novembro — resume Carolina.
Durante o espigamento, a floração, o enchimento e a maturação, a chuva pode aumentar a ocorrência de doenças, reduzir o peso dos grãos e prejudicar a qualidade industrial. Na fase de colheita, o risco de germinação nas espigas, a deterioração dos grãos e a dificuldade para entrar nas áreas.
Impactos do fenômeno, no entanto, não ficam restritos às lavouras de inverno. Para o milho de primeira safra, a redução do risco de estiagem traz benefícios, mas o grão segue muito vulnerável à distribuição das chuvas e às ondas de calor.
— O benefício depende da chuva chegar na fase reprodutiva e sem provocar atraso no plantio ou ter encharcamento das lavouras.
Na soja, aumenta a necessidade de monitorar doenças e planejar melhor aplicações de fungicidas e a colheita mesmo. Embora a intensidade do fenômeno não possa ser controlada, prevenção e planejamento são ferramentas que têm um papel importante na redução de riscos. A Embrapa acaba de publicar orientações técnicas nesse sentido.
— Precisamos pensar nas experiências que já tivemos, e atuar de forma preventiva — recomenda a analista, uma das entrevistadas do Campo e Lavoura na Gaúcha neste domingo (19).


