
A publicação da medida provisória da renegociação, na noite de quarta-feira (15), trouxe o detalhamento de como funcionará, na prática, a concretização dos pontos divulgados pelo governo federal horas antes, em Brasília. É a partir desse texto que a proposta ganha vida ao trazer os termos da aplicação prática. Com as linhas gerais apresentadas, a avaliação é de que esse foi o acerto viável dentro do vaivém das renegociações, como destacou a senadora e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, Tereza Cristina:
— Acordos são sempre coisas que alguém tem de ceder de algum lado. Hoje, estamos aqui com o possível.
Ao fazer essa avaliação, ela falou sobre a importância da inclusão das cédulas de produto rural (CPRs) no pacote.
Arnaldo Jardim, vice-presidente da FPA na Câmara, acrescentou que outros dois desafios a serem vencidos eram o escalonamento de prazos e juros e ter uma visão de futuro com um fundo garantidor, que é "uma solução mais estruturante":
— Se a pergunta for: estão completamente atendidos? Não, mas estamos seguramente atendidos de que isso deslancha, cria uma parada no processo de inadimplência e faz rolar o desenvolvimento do Plano Safra — pontuou Jardim, que já esteve à frente da Secretaria da Agricultura de São Paulo.
Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), Eugênio Zanetti também entende a MP como o acerto possível no momento:
— É o instrumento que dá maior agilidade ao processo. A grande maioria dos produtores estará coberta.
A MP tem uma vantagem temporal sobre o projeto de lei 5.122, que tramita no Congresso e vinha sendo defendido pelo setor como a única proposta capaz de dar conta de todo o passivo: a celeridade. Crucial neste momento para que produtores possam acessar o crédito do novo Plano Safra. Outro ponto colocado pelo líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta, é a suspensão, por 30 dias, das parcelas de financiamentos que estavam vencendo na quarta.
A Federação da Agricultura do RS (Farsul) disse que se manifestaria após análise do texto da MP, que saiu à noite, em edição extra do Diário Oficial da União.



