
Uma combinação de fatores dentro e fora de casa faz com que a indústria de frango do Rio Grande do Sul decida, neste momento, pisar no freio e reduzir a produção. O tamanho dessa desaceleração dependerá da realidade de cada empresa, mas a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) estima que fique entre 3% e 5%.
— Não podemos manter o ritmo com o que viemos enfrentando. É para dar a condição de equilíbrio — explica José Eduardo dos Santos, presidente da Asgav.
O enfrentamento a que se refere é, no mercado interno, do consumo retraído, das margens apertadas e do endividamento das famílias. As exportações da proteína têm tido um cenário de recuperação em relação em vivido no ano passado, quando houve o caso de influenza aviária em granja comercial, mas não são todas as indústrias que exportam.
No cenário global, uma das incertezas fica por conta da medida da União Europeia, que passa a valer a partir de 03 de setembro e restringe o acesso da carne de frango ao bloco. Outra, pelo recrudescimento da tensão no Oriente Médio, com efeito cascata sobre o preço do petróleo e seus derivados, o que se traduz em custo de produção em alta.
— Em 30-60 dias para frente vamos ver o que acontece — completa Santos.
Historicamente, a redução na oferta costuma mexer com o mercado e levar a ajuste de preço, mas "nada que inviabilize o consumo", tampouco leve ao desabastecimento, assegura o dirigente.
Terceiro maior produtor de carne de frango entre os Estados brasileiros, o Rio Grande do Sul estimava uma produção para 2026 de 2,1 milhão de toneladas, o que representaria alta de 2% a 3%.



