
Para um inimigo como El Niño, que não pode ser evitado, o melhor a fazer é se preparar para reduzir riscos. É com esse objetivo que a Embrapa traz orientações para produtores da região sul encarar de frente o fenômeno, que tem 99% de chance de permanecer até o início de 2027.
Mais do que isso, os prognósticos apontam para 63% de que atinja intensidade muito forte entre novembro deste ano e janeiro do próximo. Para construir essa cartilha com orientações técnicas, contribuíram sete unidades da Embrapa: Clima Temperado, Pecuária Sul, Trigo e Uva e Vinho, do RS, Florestas e Soja, do Paraná, e Suínos e Aves, de Santa Catarina.
— Hoje sabemos muito mais sobre o El Niño do que na década de 1980. O desafio não é prever o fenômeno, mas transformar esse conhecimento em decisões no campo — observa Gilberto Cunha , agrometeorologista da Embrapa Trigo.
É com o combo ações de prevenção, mitigação e transferência de riscos que os pesquisadores buscam preparar agricultores e pecuaristas para encarar o fenômeno, que se reflete em chuva e umidade em excesso no sul do país.
— A principal mensagem é que o El Niño é um evento previsível e não é sinônimo de problema garantido e, sim, de mudança de padrão de risco. Seus impactos podem ser reduzidos com planejamento antecipado, adoção de boas práticas agrícolas e acesso a informações técnicas qualificadas — acrescenta José Reinaldo Moraes, pesquisador da Embrapa Clima Temperado.
Confira abaixo orientações gerais e para culturas específicas para tentar driblar os efeitos do fenômeno climático.
Como "jogar" com o fenômeno
De forma geral
— É importante respeitar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que traz os períodos recomendados para cada cultivo.
— Acompanhar as previsões de órgãos oficiais, planejar os investimentos (ajustando as expectativas de rendimento à condições para anos de El Niño) e aderir ao seguro rural são orientações gerais.
Por cultura
— Cerais de inverno: para trigo, cevada e aveia a prevenção de doenças, o manejo da adubação e o planejamento da colheita são ferramentas importantes.
— Lavouras de verão: soja, milho e arroz irrigado exigem uma estratégia diferente:. Melhorar a drenagem das áreas, proteger o solo contra a erosão e intensificar o monitoramento fitossanitário são ações para reduzir perdas em razão do excesso de chuva.
— Fruticultura: para videiras, macieiras, pessegueiros, oliveiras e nogueiras-pecã, com medidas voltadas à drenagem dos pomares, manejo fitossanitário, conservação do solo e planejamento das operações agrícolas. A nota também dedica capítulos específicos à silvicultura, horticultura, pastagens e plantas de cobertura, reafirmando estratégias próprias de adaptação às condições climáticas previstas.




