
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A chuva volumosa e os ventos fortes que iniciaram no final de semana no Rio Grande do Sul — e que, pelo que a previsão indica, devem se estender ao longo desta semana — acendem um alerta para as lavouras de inverno. Embora a umidade seja necessária para o desenvolvimento das culturas, o volume previsto, especialmente para a região noroeste do Estado, pode trazer mais prejuízos do que benefícios.
O principal ponto de atenção está nas áreas de trigo recém-implantadas. Segundo o coordenador da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Hamilton Jardim, parte das lavouras nos Campos de Cima da Serra, Norte e Fronteira Oeste ainda está em fase inicial de desenvolvimento. No último informativo conjuntural da Emater, divulgado na última quinta-feira, 93% dos 814,2 mil hectares já haviam sido semeados.
— São plantas que ainda não têm um sistema radicular consolidado. Se ocorrer chuva intensa, há risco de erosão, arraste de sementes e perda de solo, comprometendo o estabelecimento da lavoura — explica Jardim.
Além das áreas já semeadas, o excesso de chuva também pode atrasar o avanço do plantio nas regiões que ainda estão dentro da janela ideal de implantação, como a Fronteira Sul. Caso o solo permaneça encharcado por vários dias, os produtores terão dificuldade para entrar nas áreas com máquinas.
O cenário preocupa ainda mais diante da redução da área cultivada com trigo neste ano. A projeção da Emater é de que o espaço destinado ao cereal caia 30% neste ano, alcançando 814,2 mil hectares.
O coordenador da Comissão de Trigo da Farsul lembra que eventuais perdas obrigariam produtores a replantar parte das lavouras, elevando os custos de produção em uma safra já marcada por margens apertadas.
Na avaliação do assistente técnico estadual da Emater/RS, Alencar Rugeri, a chuva, por si só, não representa um problema. O risco vem por estar acompanhada de ventos fortes, granizo ou serem precipitações muito intensas.
— As últimas lavouras de trigo implantadas estão em um período bastante sensível, com muito solo descoberto. O maior dano, nesse momento, tende a ocorrer justamente no solo, com processos de erosão — acrescenta o técnico.
A canola, por outro lado, inspira menos preocupação. De acordo com Jardim, a maior parte das áreas foi implantada mais cedo e apresenta bom desenvolvimento vegetativo, o que reduz o risco de perdas provocadas pela chuva. Apenas 6% dos 353,4 mil hectares com a oleaginosa estão em fase de floração, segundo a Emater.

