
O pacote com as condições para o crédito rural na safra 2026/2027 foi anunciado nesta terça-feira (30) pelo governo federal. Nos dados apresentados, um montante maior de recursos na comparação com o do ciclo anterior, chegando a R$ 622 bilhões, considerando as linhas para a agricultura empresarial e as para a agricultura familiar.
De forma geral, houve também uma redução na taxa de juro, de até um ponto percentual em igual comparação. Entre as avaliações que chegam do plano, a primeira é a de que, antes de mais nada, é preciso resolver o passivo acumulado com sucessivas perdas climáticas.
— Alguma coisa precisa ser feita. O saldo do problema aumentou 70%. Estamos vivendo a maior crise de crédito do Brasil — assegura Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
É uma referência ao percentual do saldo de devedores de carteira do crédito rural, que chegou a R$ 186,52 bilhões em abril deste ano, na comparação com igual mês de 2025, segundo dados do Banco Central.
O setor tem defendido o Projeto de Lei 5.122 como a única proposta capaz de resolver o endividamento de forma eficaz, ao incluir os financiamentos a juro controlado e livre, bem como os buscados fora do sistema oficial de crédito. E propõe como fonte, os valores do Fundo Social.
Ponto do grande embate com a União, que não quer destinar esse recurso para esse objetivo. A pressão vinda do avanço da proposta no Congresso — aprovado no Senado, texto com alterações voltou à Câmara, para ser novamente avaliado — trouxe uma reação do Planalto. No anúncio do Plano Safra, o ministro da Fazenda, Dario Durigan afirmou que uma proposta deve ser apresentada nos próximos dias.
Perda do protagonismo
Para Octaciano Neto, fundador da Zera, consultoria especializada em soluções de crédito privado para o agro, o pacote apresentado reforça uma tendência que dura décadas:
— O governo federal vem perdendo protagonismo no financiamento da agricultura brasileira.
Ele projeta em R$ 1 trilhão a demanda anual de crédito do agronegócio brasileiro.
Outro ponto levantado pela Farsul é o de que, do montante anunciado para a agricultura empresarial, R$ 525,1 bilhão, R$ 97 bilhões, ou 18,5%, são subsidiados. No ciclo anterior, era de 22%.
Para o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, se esperava condições mais favoráveis para o financiamento da produção:
— O Plano Safra veio com valor abaixo do que a gente pretendia. Os juros também não vieram como a gente pretendia. Nós pretendíamos abaixo de um dígito, e ele veio para a agricultura empresarial em 12,5%.
O corte de juro, que deixa o custo do dinheiro menor para quem financia, traz, em contrapartida, uma necessidade de maior aporte para a subvenção.
— Faz com que se tenha menos contratos com dinheiro equalizado — pondera o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes.
O dirigente aponta como positivo, uma verba um pouco maior para os investimentos, o que é importante para a indústria de máquinas agrícolas.
No caso do Plano Safra voltado à agricultura familiar, o grande destaque positivo ficou com as taxas, na avaliação do presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Eugênio Zanetti. No entanto, o dirigente também fez ponderações:
— Sentimos falta de anúncios relacionados ao Proagro Mais e ao seguro rural. E de uma medida para a renegociação das dívidas rurais.







