
Porto Alegre recebe, desta segunda (13) até quinta-feira (16), a 17ª Conferência Internacional de Agricultura de Precisão, que pela 1ª vez é realizada fora da América do Norte. De forma simultânea, ocorre o 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP). A coluna conversou com Christian Bredemeier, 2º vice-presidente da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão, organizadora dos eventos. Ouça a entrevista completa e leia trechos abaixo.
Qual o atual estágio da agricultura de precisão?
Na década de 80, temos os primeiros trabalhos relacionados com agricultura de precisão. No Brasil, há mais ou menos 25 anos, que se começou a falar nisso. Naquele momento, o conceito principal envolvia uma palavra chave: a variabilidade. Ou seja, as lavouras apresentam variabilidade espacial e isso tem de ser considerado na produção. Naturalmente, esse conceito evoluiu muito, se tornou mais amplo. Evoluiu para o que chamamos de agricultura digital, se tornou uma estratégia de gestão da produção, utilizando um grande volume de informações, dados, para apoiar as decisões.
O produtor tem conseguido extrair as melhores informações desse universo tão gigantesco de dados?
Esse é um grande desafio. Vimos nos últimos 20 anos, especialmente, um avanço muito grande em tecnologias e ferramentas ligadas à agricultura de precisão e à digital. Temos hoje muitas possibilidades de obter dados e informações sobre áreas agrícolas, máquinas, operações... esse grande volume de dados, que passamos a chamar do Big Data. O desafio é como analisar essas informações e especialmente como apoiarão de fato uma tomada de decisão na produção. Passou a se usar na agricultura termos que pareciam talvez muito distantes até alguns anos atrás, como a ciência de dados, inteligência artificial que são ferramentas de apoio para analisar esse grande volume de informações e gerar uma decisão ao produtor. Esse é o objetivo, que o produtor tome decisões mais precisas e mais assertivas.
Com tanta tecnologia disponível, o produtor pode ficar confuso, não?
Temos um grande conjunto de ferramentas, tecnologias e, naturalmente, nem todas são adequadas para todos os produtores. Também é um grande desafio hoje, quando a gente pensa em inovar, ferramentas acessíveis a todos os produtores. É um desafio, mas está ocorrendo. Há tecnologias embarcadas em máquinas, por exemplo, que também são adaptadas às de menor escala. Os conceitos da agricultura de precisão e digital se aplicam a qualquer sistema, unidade de produção. Precisa adequar as diferentes ferramentas à realidade de cada produtor.
De que forma a agricultura de precisão pode ajudar a gerenciar efeitos do clima, como os trazidos pelo El Niño?
Vejo a agricultura de precisão e a digital como ferramentas de redução de risco na produção agrícola. Em anos com dificuldades, os insumos têm de ser usados de maneira muito eficiente. E a agricultura de precisão e a digital trazem essas ferramentas para o uso mais eficiente dos recursos e a minimização dos riscos da atividade agrícola.


