
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Há quatro décadas, a agricultora Laura Langer, de 80 anos, precisava pedir dinheiro ao marido para viajar de Roca Sales até Porto Alegre e reivindicar um direito que hoje parece básico: ser reconhecida como trabalhadora rural. Na época, seu nome não podia constar no bloco de produtor, ela não tinha direito à aposentadoria nem sequer podia se associar a um sindicato.
— Queríamos direito de igualdade. Se tivesse que começar tudo de novo, começaríamos outra vez — lembrou Laura.
Hoje, aos 21 anos, Carolina Richter, de Quinze de Novembro, vive uma realidade construída, em parte, por mulheres como Laura. Agricultora desde a infância, decidiu permanecer na propriedade da família investindo na transição agroecológica e no cultivo de plantas medicinais para produção de óleos essenciais. Segundo ela, a diversificação foi determinante para que escolhesse ficar no campo:
— Talvez, se meus pais não tivessem me dado oportunidade de trabalhar com outras alternativas dentro da propriedade, teria saído para estudar.
Aas duas agricultoras estiveram na sede da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) durante a abertura da Semana Nacional da Agricultura Familiar, nesta segunda-feira (20), na Capital. Instituída por lei em 2018, a data celebra um segmento que responde por 40% do Valor Bruto da Produção Agropecuária gaúcha e concentra 70% das pessoas ocupadas no meio rural.
De séculos diferentes, Laura e Carolina ilustram a trajetória de um setor que reúne tradição e renovação. Para o presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti, esse é o principal significado da agricultura familiar:
— O meio rural, acima de tudo, é um modo de vida. As famílias produzem alimentos, mas também desenvolvem as comunidades e ajudam a preservar o meio ambiente.

Mas o setor também convive com desafios importantes. Apenas 2% dos agricultores gaúchos têm menos de 25 anos, e a população jovem no meio rural da região Sul caiu 35% entre 2012 e 2024. Para a Fetag-RS, garantir que novas gerações permaneçam na atividade tornou-se tão estratégico quanto ampliar a produção.



