
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O Rio Grande do Sul está prestes a ganhar um termômetro para o mercado pecuário. A Datagro lançará na Expointer deste ano o Indicador do Boi Datagro para o Rio Grande do Sul, ferramenta que registrará diariamente a cotação do boi gordo — como é chamado o animal vivo, pronto para abate — e passará a integrar a rede de indexadores já utilizada em nove Estados brasileiros.
A iniciativa surgiu a partir de uma mobilização da Associação Brasileira de Angus, por meio do Programa Carne Angus Certificada. Afinal, hoje, os contratos futuros do boi gordo negociados na B3 têm como principal referência indicadores de outras regiões do país. A expectativa, segundo o coordenador da área de pecuária da Datagro, João Otávio Figueiredo, é de que a criação de uma cotação específica para o Rio Grande do Sul permita refletir melhor as particularidades do mercado local, marcado por negociações em quilo vivo (e não arroba, como no resto do Brasil), presença de raças britânicas e sistemas de produção diferentes dos observados no Centro-Oeste.
O que falta, segundo o economista e analista de pecuária da Datagro, Lucas Möller, é consolidar uma base robusta de informações. Atualmente, a consultoria já recebe dados de frigoríficos como Minerva e Frigorífico Sul e conta com cerca de 60 pecuaristas cadastrados para alimentar o sistema.
Para Figueiredo, a chegada da ferramenta representa mais um passo na profissionalização da atividade e poderá contribuir para ampliar a previsibilidade dos negócios.
— Quanto mais informações de qualidade o mercado tiver, mais transparente ele se torna — resume o coordenador da área de pecuária da Datagro.




