
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A sinalização de trégua entre Estados Unidos e Irã trouxe um alívio imediato para um mercado acompanhado de perto pelo agronegócio brasileiro: o de fertilizantes. Com a perspectiva de redução dos riscos logísticos no Oriente Médio, analistas já observam pressão baixista sobre os preços internacionais dos insumos, o que pode beneficiar produtores rurais na formação dos custos da próxima safra.
O principal fator por trás desse movimento é o Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte global de petróleo, amônia, enxofre e fertilizantes. Segundo análise da StoneX, a perspectiva de reabertura da rota tende a aliviar as restrições de oferta e reduzir os custos logísticos, especialmente para os fertilizantes nitrogenados. Renan Hein dos Santos, assessor da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), no entanto, lembra que é preciso esperar para ver. Está marcado para esta sexta-feira (19) o acordo de paz entre os países, em Genebra, na Suíça. Não se sabe ainda quem serão os presentes.
No mercado da ureia, um dos principais insumos na agricultura brasileira para a produtividade das lavouras, os efeitos já começaram a aparecer. As cotações voltaram aos níveis observados antes do início da crise geopolítica e acumulam oito semanas consecutivas de queda, com desvalorização superior a 40%.
Para o Brasil, o movimento ocorre em um momento estratégico. Tradicionalmente, as compras de fertilizantes nitrogenados ganham força no segundo semestre, período em que produtores iniciam a preparação para as principais culturas de verão. A soja, por exemplo, é o carro-chefe desta estação.
— Ainda assim, a normalização não deve ser imediata e ainda dependerá da evolução das condições de segurança na região — pondera Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
Além dos fertilizantes, a reação do mercado internacional também foi percebida no petróleo. A expectativa de entendimento entre os dois países reduziu os temores de interrupções no fornecimento global de energia e provocou queda de cerca de 5% no preço do barril Brent, referência internacional para o setor.




