
Mais do que a linha de chegada de um caminho de mais de duas décadas de negociação, o reconhecimento pela China do Brasil como livre de aftosa sem vacinação representa uma importante ampliação de mercado. Principal destino das exportações brasileiras de carne bovina, o país asiático abre mais espaço à proteína. Produto com osso e miúdos ficam aptos à venda, agregando não só quantidade, mas também valores.
— Significa tanto para a cadeia de carne bovina e quanto a suína, ampliação e valorização de mercado — reforça Júlio Barcellos, coordenado do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro/UFGRS).
Em nota, a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) disse que "a decisão traz ainda mais segurança e previsibilidade para o comércio entre Brasil e China". E que cria "condições para o aprofundamento das relações comerciais e para a geração de mais oportunidades ao longo de toda a cadeia produtiva".
— O anúncio também amplia as oportunidades para a cadeia produtiva brasileira de carne suína, especialmente em Estados que passam a contar com o mesmo reconhecimento sanitário anteriormente concedido apenas a regiões específicas do país — pontuou Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Antes do reconhecimento da China, só Santa Catarina (com sete 7 frigoríficos habilitados à China) detinha o status de livre de aftosa sem vacinação. Agora, Rio Grande do Sul, com oito plantas, e Mato Grosso, com uma, também deverão ser beneficiados de maneira imediata, com a possibilidade de embarcar carnes com osso e miúdos externos.
Isso traz a perspectiva de um incremento nos embarques de carne suína de mais de 40 mil toneladas por ano destinadas à China, com impacto positivo para a geração de renda, empregos e divisas para o Brasil. segundo a ABPA.


