
A safra brasileira de maçã deste ano vai ficar marcada pelo "pingo de mel". A característica, que surge em razão de condições climáticas, aparece com força no período 2025/2026. Mais comum na variedade fuji, que tem uma colheita mais tardia. E que, em resumo, deixa fruta ainda mais doce.
A manifestação desse aspecto aquoso no coração da maçã está relacionada ao frio. Temperaturas mais baixas fazem a planta reduzir um pouco a atividade da fruta, mas a folha continua mandando os assimilados (compostos orgânicos produzidos por meio da fotossíntese, principalmente açúcares) para lá, explica Celso Zancan, diretor de Exportação e Logística da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM):
— Esse pingo de mel na verdade é açúcar que acaba ficando entre as células. Deixa um aspecto vítreo, um pouco aquoso no coração da planta, por isso que tem um termo em inglês, water core. E, como tem mais açúcar e extravasou as células, a fruta fica mais aromática e mais doce.
Para o consumidor, a safra traz uma combinação de volume maior e qualidade, com essa marca extra do pingo de mel, que não é exclusiva deste ano, mas que se destaca neste por ter sido "muito acentuada", acrescenta o diretor.
O Brasil tem uma colheita estimada em 1,2 milhão de toneladas, depois de dois anos seguidos com invernos quentes e chuvosos, que deixaram a produção em torno de 850 mil toneladas.
Santa Catarina é o Estado com o maior volume da safra, seguido de Rio Grande do Sul e Paraná. A variedade predominante é a gala, em torno de 600 mil toneladas, seguida da fuji, com cerca de 400 mil toneladas e 50 mil de demais tipos — são 20 variedades comerciais no mundo.


