
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Dois anos após a enchente que devastou 550 mil hectares em 94 municípios gaúchos, a Embrapa e o Ministério da Agricultura apresentam, nesta terça (9) e quarta-feira (10), dois estudos que buscam transformar os aprendizados da tragédia em ferramentas para prevenir novos desastres. São notas técnicas que identificam os solos mais vulneráveis às inundações, mapeiam áreas estratégicas para conservação ambiental e oferecem subsídios para orientar a reconstrução e a adaptação climática do Rio Grande do Sul.
Os levantamentos serão apresentados durante o evento "Balanço Recupera Rural RS: 2 anos de reconstrução da agropecuária gaúcha", realizado no auditório do ministério, em Porto Alegre.
Um dos estudos identificou que os impactos se concentraram principalmente em várzeas e planícies de inundação, áreas naturalmente suscetíveis ao acúmulo de água. Entre os municípios mais atingidos proporcionalmente estão Nova Santa Rita, Esteio e Canoas, onde cerca de metade do território foi alcançada pelas águas.
A segunda nota técnica apresenta um amplo mapeamento das Áreas de Preservação Permanente (APPs) hídricas do Estado. O levantamento mostra que cerca de 66% dessas áreas estão concentradas em apenas três grandes bacias hidrográficas, com destaque para a bacia dos rios Taquari, Jacuí, Pardo e Vacacaí, que reúne aproximadamente 1,34 milhão de hectares.
Além de dimensionar os impactos da enchente, os pesquisadores destacam que os estudos fornecem informações para orientar decisões futuras sobre uso do solo, recuperação ambiental, planejamento urbano e rural e gestão de riscos. Segundo o coordenador do Plano Recupera Rural RS e pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Ernestino Guarino, a reconstrução do Estado precisa considerar não apenas a recuperação das áreas atingidas, mas também a restauração das funções ecológicas da paisagem:
— As áreas de preservação permanente desempenham papel fundamental na regulação hídrica e na redução dos impactos de eventos extremos. Recuperar essas áreas significa também reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade do território de enfrentar novas enchentes.
De acordo com Stefan Mello, integrante da equipe responsável pelos levantamentos, os estudos confirmam a importância das planícies de inundação e da vegetação nativa como elementos naturais de proteção:
— As informações podem auxiliar gestores públicos, produtores rurais e instituições na tomada de decisões. Elas ajudam a identificar áreas prioritárias para restauração, recuperação de solos, proteção de recursos hídricos e planejamento territorial.






