
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
O Rio Grande do Sul acaba de colher uma safra histórica de azeitonas. Mas, enquanto comemora os números recordes, o setor já olha com preocupação para o próximo ciclo. A instabilidade climática, especialmente o excesso de chuva durante a primavera, segue sendo um dos principais obstáculos para garantir regularidade na produção de azeite. É justamente para enfrentar esse gargalo que universidades, governo e produtores estão unindo esforços em um amplo programa de pesquisa voltado à olivicultura gaúcha.
A iniciativa ganhou forma com a criação do Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura do Rio Grande do Sul, resultado de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), universidades federais e órgãos do governo estadual. A ideia é funcionar como uma rede de cooperação (sem espaço físico) destinada a coordenar estudos, compartilhar conhecimento e acelerar soluções para os desafios da cadeia produtiva.
Entre os primeiros projetos está um levantamento inédito de todas as pesquisas científicas sobre olivicultura realizadas ou em andamento no Brasil e no Uruguai. O trabalho é conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) com recursos obtidos pelo Ibraoliva junto ao Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF).
O material servirá de base para uma plataforma digital que permitirá aos produtores acessar pesquisas por tema e palavra-chave, aproximando o conhecimento acadêmico das necessidades do campo.
Outra frente de trabalho busca identificar os principais entraves enfrentados pelos olivicultores. Um questionário distribuído aos produtores está mapeando as demandas consideradas mais urgentes pelo setor. A partir dessas respostas, serão direcionados futuros projetos de pesquisa e editais financiados com recursos públicos.
Segundo o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, o desafio atual não está apenas em produzir azeites de qualidade — reconhecimento que o Rio Grande do Sul já conquistou em concursos nacionais e internacionais. O foco agora é garantir estabilidade produtiva.
— Temos o melhor azeite do mundo, mas nos falta fruta quando o clima não ajuda. Precisamos entender o que fizemos de certo e o que ainda precisamos corrigir para ter regularidade de produção — afirma o dirigente.
Grande parte das pesquisas deverá se concentrar justamente nos impactos das mudanças climáticas sobre os olivais. O excesso de chuva em períodos críticos do desenvolvimento das plantas está entre os fatores que mais preocupam os produtores. Embora alguns estudos já existam no Brasil e no Uruguai, a expectativa é acelerar a geração de resultados por meio da atuação coordenada entre instituições de pesquisa e setor produtivo.




