
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Quando a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, a partir desta quinta-feira (11), pode-se dizer que uma das estrelas que "estará em campo" é o gramado. É que por trás dele existe uma cadeia produtiva altamente especializada, que envolve pesquisa, tecnologia e produção agrícola e movimenta cerca de R$ 40 bilhões por ano no Brasil entre cultivo, comercialização e implantação. Da lavoura aos estádios, a coluna foi atrás de informações que mostram que, sim, grama também é agro — e tem papel importante até mesmo no desempenho dos espetáculos esportivos como o que veremos nos próximos dias.
Embora seja mais associada aos campos de futebol, a gramicultura vai muito além do esporte. A produção abastece jardins residenciais, condomínios, obras de paisagismo, parques, contenção de erosões em rodovias e projetos de engenharia. Segundo a Associação Nacional Grama Legal, o Brasil possui cerca de 45 mil hectares destinados à atividade. Deste total, o mercado esportivo, apesar da visibilidade e do maior valor agregado, representa apenas 6%.
— Quando se fala em grama, as pessoas pensam logo em futebol. Mas o maior mercado está em obras, rodovias, loteamentos, condomínios e recuperação ambiental — reforça Luiz Negrello, então presidente da Associação Nacional Grama Legal.
Negrello pondera, no entanto, o impacto de influência desse mercado no setor. É nos estádios e centros de treinamento, diz, que surgem novas variedades, técnicas de manejo e tecnologias que depois chegam a outros segmentos.
Especialista em gramados esportivos e consultora de clubes como Grêmio, Inter, Palmeiras e Cruzeiro, a engenheira agrônoma Maristela Kuhn afirma que as variedades de gramas escolhidas para a Copa já começam a influenciar o mercado brasileiro:
— Muitas tecnologias que usamos hoje vieram de Copas anteriores. A iluminação suplementar, por exemplo, ganhou força após o Mundial de 2014. Agora estamos acompanhando variedades que serão usadas em 2026 e que já começaram a chegar ao Brasil.
Na avaliação do professor Leandro José Grava de Godoy, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também houve uma profissionalização do segmento:
— O gramado deixou de ser apenas um elemento paisagístico. Hoje ele é tratado como um componente importante da performance esportiva e da segurança dos jogadores.
O setor da grama
- 45 mil hectares de produção no Brasil
- 51% da produção está no Sudeste
- 18% no Sul
- Apenas 6% do mercado tem destino esportivo
- Cerca de R$ 40 bilhões movimentados, entre produção, venda e implantação
- O cultivo envolve correção do solo, irrigação, adubação frequente, controle de plantas invasoras e roçadas periódicas. Em muitos casos, o ciclo entre plantio e colheita leva cerca de um ano.
- Quando o gramado está pronto, máquinas retiram os tapetes em placas ou rolos, que seguem para transporte e instalação.
- Em áreas destinadas a gramados esportivos, o processo pode ser ainda mais sofisticado, com produção sobre camadas de areia e sistemas que favorecem a formação de um emaranhado de raízes capaz de suportar o transporte e o uso intenso nos estádios.
Fonte: Associação Nacional Grama Legal


