
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Não aumenta, nem diminui o mercado. É assim que o setor brasileiro de máquinas agrícolas avaliou o Plano Safra 2026/2027, anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (30).
Principal programa para aquisição de máquinas e implementos agrícolas, o Moderfrota terá menos da metade dos recursos disponibilizados no último ciclo. O montante cairá 54%, de R$ 12,5 bilhões para R$ 5,8 bilhões. Em contrapartida, os juros foram ajustados um percentual para baixo. Grandes produtores pagarão 12,5% e médios, 11,5% — o tal Moderfrota Pronamp.
Mesmo com juros menores, a expectativa da indústria segue cautelosa. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revisou para baixo, também nesta terça, sua projeção de vendas de máquinas agrícolas para 2026. A estimativa, que era de retração de 8%, passou para 15%.
— O mercado continua muito difícil e não estamos enxergando gatilhos para uma recuperação. A rentabilidade do agricultor está muito baixa e o câmbio elevado também pesa — afirma Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq.
E, na avaliação do dirigente, o Plano Safra praticamente manteve as condições já esperadas pelo mercado:
— A redução dos recursos do Moderfrota tende a ser compensada pelo Move Agricultura (programa lançado pelo governo federal no início de junho), com recursos da Finep entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões e juros de 9,52% ao ano.
Em nota, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), outra entidade representativa do setor, também reconheceu o esforço do governo para ampliar os recursos destinados ao financiamento da próxima safra. A entidade considerou que a redução das taxas torna o crédito mais competitivo em relação à Selic e às linhas de mercado, mas ponderou que o custo ainda está acima da capacidade financeira de parte dos produtores. Já o Move Agricultura "deverá ter uma maior demanda nesta fase inicial, assim que estiver disponível".
Cenário gaúcho
No Rio Grande do Sul, o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas (Simers) classificou como positiva a redução dos juros, especialmente no Moderfrota, mas reforçou que o acesso ao crédito continuará limitado enquanto produtores endividados permanecerem fora do sistema financeiro.
— Para que o Plano Safra cumpra seu papel, crédito e renegociação das dívidas precisam caminhar juntos. Hoje, milhares de produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, seguem impedidos de investir porque ainda aguardam uma solução para seu endividamento — reforçou Claudio Bier, presidente do Simers.
Bier defendeu, ainda, a homologação da renegociação das dívidas rurais nos próximos 30 dias para garantir o acesso efetivo ao crédito. No Congresso Nacional, tramita o Projeto de Lei 5.122, que propõe a medida.






