
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A decisão da União Europeia de barrar, a partir do dia 3 de setembro, a importação de determinados produtos de origem animal do Brasil não deveria ser uma surpresa, diz a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) em uma nota técnica divulgada nesta terça-feira (9). O texto aponta que o governo brasileiro teve quase dois anos para se adequar às exigências sanitárias europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
Segundo a entidade, as regras que embasam a restrição foram publicadas pela União Europeia em 2023, e o marco operacional para comprovação da conformidade entrou em vigor em outubro de 2024.
A nota também lembra que o impacto da medida não atinge todo o agronegócio, mas concentra-se em setores específicos, como carne bovina, aves, mel, ovos, pescados, equídeos e tripas. Em 2025, esses produtos representaram US$ 1,848 bilhão das exportações brasileiras para a União Europeia. A carne bovina lidera a lista, com US$ 1,008 bilhão, seguida pelo frango, com US$ 763 milhões.
No Rio Grande do Sul, o impacto é menor, mas ainda significativo. Os produtos potencialmente afetados somaram US$ 133,8 milhões em vendas ao bloco europeu no ano passado, o equivalente a 6,2% das exportações gaúchas do agro. O maior impacto concentra-se na cadeia de aves, especialmente frango e peru.
A coluna já contatou o Ministério da Agricultura e aguarda uma posição sobre o assunto.




