
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Além da produção de azeite de oliva, a supersafra de azeitonas no Rio Grande do Sul embalou a contratação de safristas neste ano. A percepção é compartilhada pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) e pela Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais do Rio Grande do Sul (Fetar-RS), que, pela primeira vez, estimou em cerca de 5 mil o número de safristas mobilizados na colheita.
— É uma cadeia produtiva que consegue absorver mão de obra da própria região. Não tem a dimensão da safra da uva ou da maçã, mas vem crescendo ano após ano — observa o presidente da Fetar-RS, João Larrosa.
Segundo ele, o número de contratações chama atenção pela relação entre área cultivada e geração de empregos:
— É um número bastante expressivo para uma cultura que ocupa uma área relativamente pequena, especialmente se comparada à soja, que tem baixa demanda de mão de obra.
A demanda ficou evidente até mesmo na abertura oficial da colheita, realizada em Triunfo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde uma das expositoras era a Via Rural, empresa especializada no fornecimento de mão de obra para o campo.
Em Canguçu, no sul do Estado, por exemplo, a Azeite Capolivo precisou ampliar o quadro de safristas para dar conta da produção histórica. Foram contratados entre 10 e 15 trabalhadores a mais em relação aos anos anteriores, quando a equipe girava em torno de 10 pessoas.
— Tivemos uma safra recorde, com produção de 20 mil litros de azeite e 36 dias de colheita, encerrada no fim de abril — relata a sócia da empresa, Carolina Capoani.
A contratação, aliás, foi feita integralmente na região.
Na Campanha, a marca Torrinhas, com áreas em Pinheiro Machado e Candiota, também registrou forte aumento nas contratações. O número de trabalhadores temporários saltou de 15 para 40 pessoas nesta safra. Já no lagar, próprio da empresa, a equipe passou de quatro para 15 funcionários.
O tempo de colheita também aumentou. Começou em março e deve avançar até o fim de maio, em um ciclo muito mais longo do que o habitual.
— Nunca tivemos uma safra dessa proporção. Antes eram cerca de 40 dias de trabalho. Agora, estamos falando de praticamente três meses — destaca Jorge Buchabqui, um dos sócios da empresa, que deve produzir cerca de 100 mil litros de azeite nesta temporada.
Encerrada a colheita das oliveiras, Larrosa, da Feta-RS, afirma que muitos safristas seguem para outras atividades sazonais, como a esquila de ovinos e os trabalhos em florestas plantadas.
— Em alguns casos, são profissionais que atuam também nas safras do fumo, da uva e da maçã. Há situações em que essas atividades conseguem se complementar — analisa o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho.





