
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Depois de anos marcados por estiagens e quebra de produtividade, o setor de erva-mate no Rio Grande do Sul projeta uma safra mais próxima da normalidade em 2026. A expectativa é de colher 310 mil toneladas de folha verde em quase 30 mil hectares de ervais espalhados por 173 municípios gaúchos.
E foi reforçada durante a abertura oficial da colheita da erva-mate, realizada nesta quinta-feira (28), em Machadinho, no norte do Estado. O município sediou também o Fórum da Erva-Mate, evento que reuniun produtores, indústrias, pesquisadores e representantes do setor.
Segundo o engenheiro agrônomo da Emater/RS e coordenador da Câmara Setorial da Erva-Mate, Ilvandro Barreto de Melo, o clima deste ciclo foi mais favorável ao desenvolvimento das plantas:
— Geralmente, entre o fim do ano e março, temos princípios de estiagem. Neste ano não foi tão grave como em períodos anteriores e o erval conseguiu se desenvolver normalmente. A previsão (para o resto de 2026) é de um ano mais chuvoso, sem estiagens fortes na primavera e no verão, o que traz uma tendência de produção normalizada.
No ano passado, o volume já havia alcançado a casa das 300 toneladas. A quebra ocorreu em anos anteriores, quando a produção foi de 275 mil toneladas.
Apesar da melhora esperada para a safra, o setor ainda enfrenta outro desafio: os preços pagos ao produtor. Segundo Melo, a arroba da erva-mate (15 quilos) hoje gira entre US$ 3,3 e US$ 3,4, próxima do piso histórico da cultura, cuja cotação oscila entre US$ 3 e US$ 5 há mais de cinco décadas.
— Quando o preço cai, o produtor reduz investimento em tecnologia, aduba menos e diminui os cuidados com o manejo do erval. Isso impacta diretamente a produtividade — explica o técnico.
Mesmo assim, a avaliação do setor é de que não deve haver oscilação significativa para o consumidor final. Segundo Melo, os preços no varejo já estão pressionados e variam conforme o tipo de produto, podendo ir de R$ 8 a R$ 25 o quilo.
A abertura da safra também marcou o lançamento do segundo produto com selo de Indicação Geográfica (IG) da região: a erva-mate Cambona 4, produzida em sistema convencional pela empresa Barão Erva-Mate Chá, de Barão de Cotegipe, com filial em Machadinho. O primeiro produto certificado havia sido a erva-mate Barbaquá Machadinho, produzida de forma artesanal e com características marcadas pelo sabor e aroma defumados do processo tradicional.



