
Da cerimônia de posse para a capital federal. O presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Domingos Velho Lopes, retorna a Brasília nesta segunda-feira (25) para retomar a negociação para votação do projeto de lei 5.122. O relatório do senador Renan Calheiros deve voltar à pauta do dia na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Na semana passada, um pedido do governo acabou postergando a avaliação. Em entrevista à coluna, o dirigente falou sobre a proposta e como vê o futuro da entidade, que abriu a contagem regressiva para os cem anos. Leia abaixo trechos.
Considera a renegociação do passivo dos produtores como a grande prova de fogo da gestão?
Aqueles que têm cabelo branco sabem: tivemos aqueles planos econômicos na década de 80 até o início de 90 e isso gerou um grande endividamento. O que aconteceu? Uma securitização. Em 97, éramos importadores de alimentos, e passamos a ser a maior potência exportadora, o maior produtor de grãos, fibras e proteínas do mundo. É isso que precisamos agora. Não foi por ineficiência e, sim, por falta de condições climáticas, com as estiagens e as enchentes que tiraram o poder de compra do produtor rural da agricultura familiar até a grande propriedade. Precisamos recolocar (os produtores) para aproveitar o que vai acontecer que é revolucionário: os biocombustíveis. Dentro de cinco a 10 anos, mudaremos a agricultura gaúcha e brasileira. Temos de dar condições para esses produtores de todas as camadas fundiárias terem a possibilidade de acessar o crédito e voltar a produzir com tranquilidade.
Ficaram frustrados com a manifestação do governo, que freou a votação do projeto de lei 5122?
O governo federal teve todas as oportunidades de resolver e emendar o (projeto de lei) 5.122 porque os seus senadores, representantes da base, lá estavam pra fazer isso. Deixaram correr, criaram a expectativa e, na hora da votação, disseram para trazer um novo programa, uma nova medida provisória, que seria nos moldes do 5.122. A proposta é pior do que a medida provisória do ano passado. Ou seja, a insensibilidade é total. Por isso, a nossa expectativa virou frustração. Mas estamos indo para Brasília, temos encontro tanto com Renan Calheiros (relator do projeto) quanto com a senadora Teresa Cristina para ver se conseguimos demover dessa ideia. Em nada foi resolvido por parte do governo com a proposta que tem colocado na mídia.
O setor tem reiterado que só o 5.122 resolve o endividamento. Por quê?
Porque resolve as dívidas do sistema financeiro, transforma recurso livre e controlado, tem o funding do pré-sal, dos fundos com superávit, de todas as atividades primárias do Ministério da Fazenda. É um arcabouço que resolve desde a agricultura familiar até a empresarial. Foi construído a várias mãos, por pessoas que lidam com ruralismo em todo o país. Entretanto, vemos mais uma vez a insensibilidade na construção de uma solução por parte do governo federal. Não temos dúvida do êxito na votação tanto no Senado quanto na Câmara, porque a maciça opinião dos parlamentares é na construção do 5.122. Tomara que tenhamos o poder de convencimento sobre quem tem a caneta para pautar o assunto.
O que enxerga como futuro do agro e da Farsul, que chegará aos cem anos?
É manter os dogmas, seus valores, mas olhando para o futuro que está no crescimento da segurança alimentar mundial, com o Brasil passando de 350 milhões de toneladas para 600 milhões de toneladas, e mais do que isso, seremos o grande player mundial no blend do combustível fóssil com biocombustível. Essa oportunidade acontecerá, só precisamos de tempo para as grandes destilarias serem construídas e, principalmente, de cereais, que são menores. Da cana, tem de processar imediatamente, então precisa de estruturas gigantes, enquanto que, dos grãos, pode ter armazenagem menor, por isso as estruturas menores, e fazer uma produção constante, dando oportunidade, que é o que está acontecendo no Rio Grande do Sul, de várias cooperativas se unirem para a construção, além de investimentos privados que estão neste caminho. Com a segurança alimentar e a bioenergia, o Brasil tem a grande chance de dar o turnover da vida da sociedade gaúcha. Tomara que tenhamos competência para atingir isso, a oportunidade está posta. Precisamos é agarrá-la com todas as forças.



