
A reação dos preços no 1º trimestre trouxe um suspiro aos produtores de leite, depois de um segundo semestre em 2025 de recuo expressivo. Os efeitos da guerra no Oriente Médio e o prognóstico de um El Niño, no entanto, entram no radar de atenção da atividade. A partir de quarta-feira (13), a pecuária de leite e seus debates ganham espaço no parque Assis Brasil, em Esteio, onde serão realizadas a 19ª Fenasul e a 46ª Expoleite. Sobre os eventos e a produção, a coluna conversou com José Ernesto Ferreira, vice-presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês (Gadolando). Confira trechos:
Como a alta nos custos com a guerra no Oriente Médio pode comprometer o movimento de reação de preços do leite?
O ano de 2025 foi muito difícil pela questão do clima, da alta quantidade de importação de lácteos e do preço dos insumos em relação ao do produto. Tivemos realmente essa recuperação, em março, os índices oficiais mostram que foi uma alta de 11,67%. E, em abril, pelo valor de referência, se espera 10,47% nesse pagamento que está entrando agora. Ainda estamos muito, muito abaixo do que o produtor vem apanhando no seu caixa. Temos visto produtores que estão abandonando a atividade e alertamos para uma dificuldade futura, porque, se pararem, o que acontece é que passaremos a ser completamente dependentes das importações, já muito altas. Precisamos ver isso com muita clareza, com desafios a serem vencidos por meio de políticas públicas, para que se consiga fazer realmente que o produtor continue na atividade.
De que forma de o El Niño, previsto para o segundo semestre, pode impactar a atividade?
Bastante, porque temos muitos produtores no Rio Grande do Sul que têm a atividade de pastoreio das vacas leiteiras, que são as que fazem pastagens de inverno, à base de azevém e aveia. Costumamos dizer que quando chove, a vaca "pasta com cinco bocas". As quatro patas "estragam" e tem mais a boca que tem de pastar. As pastagens de inverno, com muita chuva, têm um aproveitamento muito baixo. Quem trabalha com pastagem, terá muita dificuldade na produção. Começa a chover muito, e estraga essas pastagens. Quem não faz isso, mas precisa plantar o alimento, colher o alimento, também terá muita dificuldade.
Para a produção de leite, o excesso de chuva é pior do que a falta?
Os dois extremos são muito difíceis. A estiagem, porque não cresce a plantação, e o excesso de chuva também atrapalha no desenvolvimento das plantas e, principalmente, na colheita e no pastoreio dos que fazem esse sistema. A dificuldade com muita chuva é muito grande.
Quais as novidades para a edição deste ano da 19ª Fenasul e 46ª Expoleite, que começa na quarta (13)?
Estamos comemorando muito a participação dos ovinos (a Fenovinos, que é itinerante, em 2026 será realizada no parque Assis Brasil, em Esteio). Estamos agregando também uma grande classificatória da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos e eventos paralelos, como a Multifeira de Esteio, a Agricultura Familiar, a presença de equinos de outras raças. Teremos uma exposição bastante variada e com grande presença de animais: 1.457. Aproveitamos esse espaço dentro de Esteio, na Grande Porto Alegre, para trazer o campo para perto da cidade e mostrar o que é a realidade da pecuária, da agricultura gaúcha e das dificuldades que temos atravessado nos últimos anos.






