
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Depois de uma nova estiagem neste verão, o produtor gaúcho agora se prepara para outro desafio climático: a volta do El Niño. A previsão do fenômeno para o segundo semestre deste ano aumenta o risco de excesso de chuva no sul do país, o que tende a gerar perdas em lavouras como a de trigo. Pesquisadores da Embrapa Trigo, de Passo Fundo, recomendam cautela no planejamento da safra e defendem investimentos compatíveis com o potencial produtivo que o ambiente climático pode oferecer em um ano de maior instabilidade. A lista completa de orientações está abaixo.
— É preciso realizar o investimento em insumos baseado no potencial de rendimento permitido pelo ambiente, considerando que a oferta ambiental em anos de El Niño é menor do que em anos de La Niña — reforçou o pesquisador João Leonardo Pires.
Principais recomendações
- escolher cultivares mais adaptadas às condições de El Niño;
- evitar plantar trigo em áreas que receberam trigo, cevada, triticale ou centeio no inverno anterior;
- escalonar a semeadura e utilizar materiais de ciclos diferentes;
- evitar semeadura em solo excessivamente úmido;
- acompanhar previsões meteorológicas para orientar aplicações e colheita;
- seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que também permite acesso ao seguro rural;
- fracionar a aplicação de nitrogênio para reduzir perdas por lixiviação;
- fazer análise de solo para ajustar adubação;
- monitorar pragas e doenças antes de aplicar defensivos;
- antecipar a colheita em caso de risco de chuva;
- acompanhar a presença de micotoxinas nos grãos colhidos.




