
Nem o mais precavido dos representantes do agro gaúcho esperava voltar de Brasília com outra coisa que não fosse a aprovação do texto da renegociação de dívidas no Senado. É por isso que o desfecho da tentativa de fazer avançar o projeto de lei 5.122 tem sabor de frustração.
Adiada de terça (19) para quarta-feira (20), a análise do relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL) era considerada apenas uma questão de formalidade. A confiança vinha de tratativas e articulações feitas ao longo das últimas semanas entre representantes de entidades e parlamentares. Houve, no entanto, pedido para que Calheiros segurasse a votação, para uma conversa com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. E a proposta colocada à mesa é para que seja feita análise via grupo técnico do texto.
A iniciativa tira do horizonte do momento a votação. Foi como jogar um balde de água fria sobre a expectativa de avanço do projeto. Presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Domingos Velho Lopes disse que é “a história se repetindo”:
— A Farsul não abre mão do PL 5.122 e seus parâmetros; simples assim.
O principal argumento é o de que o projeto é o único capaz de atender à demanda do passivo dentro e fora do sistema financeiro. O texto original, que propõe o uso dos recursos do fundo social para a renegociação, foi aprovado em julho do ano passado na Câmara dos Deputados.
— Nosso sentimento é de enrolação. O projeto foi construído a muitas mãos e já está na mão do governo há muito tempo. Acho que está na hora da votação — disse Eugênio Zanetti, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RS (Fetag-RS).
Secretário estadual de Agricultura, Márcio Madalena também estava em Brasília e reforça:
— Tudo que se fizer agora afetará prazo, que complica essa questão de aprovação e colocação em prática, é extremamente complexo.


