
Em Porto Alegre, onde participou da inauguração de 98 estações meteorológicas do Inmet, o novo ministro da Agricultura, André de Paula, fez uma parada para almoço na sede do Sistema Ocergs/Sescoop-RS. No cardápio, temas como o de renegociação de dívidas, o seguro rural e o Plano Safra. O pernambucano também recebeu do anfitrião Darci Hartmann uma pauta com cinco propostas para ações para fortalecer a resiliência climática e a sustentabilidade da produção agropecuária. Na ocasião, o titular da pasta federal conversou com jornalistas. Confira trechos da entrevista abaixo.
Como resolver o impasse entre governo e setor, que defende o avanço do Projeto de Lei 5.122, quanto à renegociação?
Com muita persistência no diálogo. É evidente que tenho o compromisso de encontrar uma solução, e disso eu não faço segredo. Também tenho maturidade suficiente para entender que uma questão como essa é tão complexa que é discutida de forma transversal dentro do governo. Não é apenas a vontade do Ministro da Agricultura que conta. Nesse primeiro momento, a minha equipe e a de outros ministérios estão tendo reuniões quase diárias. E estamos fechando uma proposta que será objeto de uma conversa com outros ministros, para que possamos levá-la para quem tem a palavra final, o presidente.
Mas tem como avançar?
Estive em uma reunião na Federação das Indústrias de São Paulo, no Conselho Superior de Agricultura, presidida pela senadora Tereza Cristina (também ex-ministra da Agricultura). Vi em um momento em que ela saía de uma dessas reuniões com o ministro Durigan (Dário Durigan, da Fazenda), e tive a curiosidade de perguntar qual era a impressão. E ela se mostrou muito otimista em relação à sensibilidade do ministro, mas achou a equipe refratária. Nessa mesma reunião, ao final, como eu fiz a pergunta, já estávamos acabando, ela disse: 'ministro, deixa eu dizer uma coisa, acabei de receber um telefonema, a reunião de hoje, melhorou muito, a gente avançou bastante'. O processo de negociação é, de fato, complexo, porque precisamos ter um Plano Safra robusto, que siga avançando do ponto de vista dos números. Tem um desafio, porque talvez tão importante, ou até mais importante, do que um volume robusto de recursos, é você habilitar o produtor rural a esse crédito. E aí tem dois itens, que é taxa de juros e endividamento. Porque se o cara está endividado, não pode fazer face ao crédito. Há muitos componentes que não surgiram agora, que são decorrência de problemas estruturais que temos na agricultura, que vamos enfrentar. Tenho feito questão absoluta de ouvir todos os setores. Comecei pela Frente Parlamentar da Agricultura. Vi críticas, sugestões e acredito que juntos podemos avançar.
A cifra para subvenção do seguro rural tem sofrido cortes. Como garantir a proteção à produção com recursos escassos?
Sempre foi (o seguro agrícola) e segue sendo muito importante. Agora, talvez ainda mais, porque ninguém tem o direito de se iludir, essas questões cada vez mais frequentes do ponto de vista do clima exigem de uma agricultura como a nossa um trabalho sério, e a construção de uma solução para o seguro rural. Estamos trabalhando e isso é uma das cinco prioridades, está na pauta. Aliás, em todos os lugares, e aqui hoje foi assim também, na Confederação Nacional da Indústria, na Confederação Nacional da Agricultura, na Federação das Indústrias, na Sociedade Rural, na Frente Parlamentar esses itens são sempre muito claros. Aqui, falou-se muito em Rio Grande do Sul, e eu quero reconhecer que o Rio Grande do Sul merece um carinho muito especial por tudo que passou. Não nos recuperamos da pancada, mas quero dizer a vocês o seguinte: não há nenhum Estado da federação onde eu chegue, e a pauta não seja essa.





