
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Enquanto o consumo de vinho encolhe nas principais potências mundiais, o Brasil segue na direção oposta e alcançou, em 2025, o maior volume de consumo da história. Os dados divulgados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) mostram que o país registrou crescimento simultâneo no consumo, na produção e na expansão de vinhedos, consolidando-se como um dos destaques globais do setor.
Apesar do avanço, o mercado brasileiro ainda está distante dos grandes consumidores tradicionais. O volume consumido no país chegou a 4,4 milhões de hectolitros, uma alta de 41,9% em relação ao ano anterior e quase 20% acima da média dos últimos cinco anos. Ainda assim, o consumo per capita segue abaixo de países europeus como Portugal, França e Itália, onde o vinho faz parte da cultura alimentar há décadas.
— O consumidor está percebendo a qualidade dos nossos vinhos e espumantes. Isso vem mudando o hábito de consumo — afirma o presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), Luciano Rebellatto.
Enquanto o Brasil cresce, o cenário internacional é de retração. O consumo mundial caiu 2,7% em 2025, chegando a 208 milhões de hectolitros e acumulando queda de 14% desde 2018. Entre os dez maiores mercados consumidores do planeta, apenas Portugal apresentou avanço. Estados Unidos, França, Itália, Alemanha, Espanha, Argentina e China reduziram o consumo no período.
O crescimento brasileiro também aparece no campo. O país registrou a maior expansão proporcional de áreas de vinhedos entre todos os países monitorados pela OIV: alta de 9,6% em relação a 2024, passando de 83 mil para 91 mil hectares cultivados. Foi o quinto ano consecutivo de aumento da área plantada.
— A uva saiu dos polos tradicionais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Hoje temos produção em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, em Brasília e em áreas tropicais do país — destaca Rebellatto.
O movimento contrasta com a tendência mundial. No planeta, a área cultivada com vinhedos caiu pelo sexto ano consecutivo, recuando 0,8%, para 7,034 milhões de hectares — o menor patamar desde o início da série histórica da OIV.
A produção brasileira também avançou fortemente. O volume de vinho produzido saltou de 1,6 milhão para 2,8 milhões de hectolitros, crescimento de 80,6% em relação ao ano anterior.





