
A 31ª Agrishow encerrou nesta sexta-feira (01) sendo um espelho da realidade do mercado de máquinas e implementos agrícolas: as propostas de negócios encaminhadas somaram R$ 11,4 bilhões, conforme os organizadores. A cifra representa uma redução de 22% em relação à edição de 2025. O público ficou parecido com o do ano passado: 197 mil pessoas nos cinco dias de feira.
Presidente da Agrishow, João Marchesan destacou que, apesar do mercado desfavorável enfrentado há três anos, o setor continua "investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil":
— E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis.
Juro elevado, variação cambial, preços menores de commodities e crédito restrito e seletivo são ingredientes que ajudam a explicar a radiografia atual de retração no segmento de máquinas e implementos agrícolas. Durante a feira, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, apresentou dados do primeiro trimestre de 2026. O recuo no período de janeiro a março foi de 16,4% (considerando a receita líquida total).
Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, Pedro Estevão reforçou o peso preponderante, neste momento, do dólar desvalorizado, que diminui a rentabilidade de produtores – 60% das vendas do segmento são para as culturas de soja e milho, commodities sob influência da variação cambial.
Na análise específica da venda de tratores, o cenário trazido pelas vendas do mercado brasileiro indica uma perspectiva mais animadora. As 3.840 unidades vendidas ao usuário final em março representam um aumento em relação aos dois meses anteriores de 2026, e interrompem um movimento de queda que vinha sendo registrado desde novembro do ano passado. Na comparação de março ante fevereiro deste ano, houve alta de 47,9%. Sobre março do ano passado, o avanço é de 3,9%. No acumulado do ano e em 12 meses, ainda há diminuição (-8,8% e _21,4%).
Nas colheitadeiras, o ritmo ainda segue mais lento, apesar da leve alta, de 3,3% nas vendas de março sobre fevereiro ao usuário final. Em todos os outros comparativos, o quadro é de redução: sobre igual mês de 25 (-36,2%), acumulado do ano (-40,2%) e em 12 meses (-2,8%).
— A colheitadeira só vai para soja e milho. O trator, para todas as culturas. E tem culturas que não estão ruins. Os outros segmentos acabam aliviando essa queda — explica Estevão.






