
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Em meio a anos com o freio puxado nas vendas, a fabricante gaúcha de máquinas agrícolas São José decidiu mudar de marcha. A empresa, sediada em São José do Inhacorá, no noroeste do Estado, aposta na expansão da participação das exportações — dos atuais 7% para 20% nos próximos anos — como caminho para equilibrar receitas.
Segundo o fundador e presidente, Geraldo Recktenwald, as vendas da companhia acumularam queda próxima de 30% nos últimos dois anos — reflexo de crédito caro, juros elevados e produtores mais cautelosos na hora de investir. Para 2026, a expectativa é de estabilidade.
— É um ano de passar — definiu o empresário à coluna.
A retomada, se confirmada, deve vir de forma gradual a partir de 2027, acompanhando uma eventual normalização das condições de financiamento e crescimento das exportações.
Hoje, a empresa já exporta para países da América do Sul, com destaque para Paraguai e Uruguai, mas vê espaço para avançar em novas frentes, como mercados africanos. A lógica é de diversificação, resume Recktenwald:
— Quando uma região ou país sofre mais, outro pode compensar. A exportação ajuda a equilibrar.
Com cerca de 300 funcionários e uma planta industrial de quase 23 mil metros quadrados, instalada em uma área de 10 hectares, a São José atua principalmente em duas frentes: logística de grãos e preparo do solo. O carro-chefe é a carreta graneleira.
Mudanças também internas
Além do plano de ampliação das exportações, houve mudançs internas na forma de gerir o negócio, com a criação do Núcleo Estratégico Executivo. A estrutura substitui o modelo tradicional de conselho consultivo e passa a atuar diretamente tanto na definição quanto na execução das estratégias.
— O modelo tradicional já não acompanha a velocidade do agro. Precisamos conectar estratégia e execução de forma direta — explicou ainda Recktenwald.
A nova engrenagem incorpora nomes com experiência, como o executivo Paulo Herrmann, ex-presidente da John Deere no Brasil e ex-CEO da FIERGS, e Paulo Bruning, especialista em governança e sucessão. A ideia é dividir as áreas: de um lado, o mercado e as oportunidades comerciais; de outro, a organização interna, os processos e a preparação para o crescimento. Na prática, o movimento também reposiciona o próprio Recktenwald, que passa a atuar com uma visão mais ampla do negócio, menos envolvido na rotina operacional e mais focado em estratégia, relacionamento e direcionamento.





