
Apenas considerando um dos efeitos da guerra, o do aumento do preço do diesel, o custo de produção de soja, milho e arroz no Rio Grande do Sul pode ter um adicional de até R$ 743 milhões. É o que aponta cálculo da assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
Para se chegar a esse valor extra, levou-se em consideração o preço do combustível, em dois cenários diferentes, multiplicado pelo número de hectares cultivados. Com o diesel na casa de R$ 7, o aumento seria da ordem de R$ 504 milhões. Já com o combustível a R$ 7,50, a cifra sobre para R$ 743 milhões.
— Estamos falando de um impacto bem severo. E pode piorar muito — observa Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que em 27 de fevereiro, uma dia antes do início da guerra no Oriente Médio, o litro do diesel tinha valor médio de R$ 5,97 no RS. No último dia 03, estava em R$ 7,43, um aumento de R$ 24,5%.
— Neste momento (da safra), a alta no diesel é pior, pesa mais, porque o produtor está comprando combustível para colher — afirma Da Luz.
No cálculo do custo adicional à produção não entram, por ora, outros efeitos que já aparecem sobre a produção agropecuária, como o da alta dos fertilizantes. Dados do Ministério da Indústria e do Big Data da Farsul mostram que os nitrogenados, por exemplo, tiveram alta de 25,3% no valor da tonelada, em dólares, na comparação de março com fevereiro de 2026. Quando a relação é com março de 2025, a diferença é ainda maior: 50,1%.
No grupo dos fosfatados, o aumento foi de 6,3% de março ante fevereiro, e de 61,5% na comparação de março deste ano com março de 2025.
A alta reflete a importância estratégica do Estreito de Ormuz no fluxo de fertilizantes do mundo — 40% da ureia, por exemplo, passa por lá. Há ainda as medidas restritivas de vendas externas que vêm sendo adotadas por grandes fornecedores globais, como a China e a Rússia. E, também, reforça a elevada dependência do Brasil das importações de fertilizantes — 85% do que consome — que já havia ficado exposta em 2022, com o conflito envolvendo Rússia e Ucrânia.
— É uma situação parecida com a que vimos lá atrás, naquele conflito. Não tivemos escassez, mas tivemos uma disparada de preços. É um cenário de preocupação para a formação da próxima safra — avalia Renan Hein dos Santos, assessor de Relações Internacionais da Farsul.




