
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A página virou. Depois de dois anos de frustração, uma super safra está sendo colhida, neste momento, em mais de 110 municípios produtores de azeitona no Rio Grande do Sul. A largada oficial foi dada nesta sexta-feira (17), na 14ª Abertura Oficial da Colheita da Oliva, em Triunfo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas, na prática, começou bem antes, tamanho a quantidade de frutas que brotaram dos olivais neste ano.
Só no Rio Grande do Sul, a expectativa do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) é de que a produção chegue a 800 mil litros de azeite de oliva, podendo, inclusive, superar essa marca, que já seria recorde. No Brasil, a perspectiva é de alcançar 1 milhão de litros produzidos.
— Tem pomares que vão estender a colheita até junho, quando geralmente se encerraria em maio — detalha o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho.
Em 2024 e 2025, o excesso de chuvas e a alta umidade, fatores críticos para a cultura da oliveira, comprometeram tanto a quantidade quanto o manejo dos pomares. Na ocasião, foram produzidos 340 mil litros e 240 mil litros, respectivamente.
— Neste ano, foi tudo diferente. Tivemos uma conjunção de fatores climáticos positivos: o maior número de horas de frio no inverno dos últimos 20 anos, e a oliveira precisa de frio, pouca chuva na primavera, o que favorece a polinização, e no verão nenhuma condição climática que atrapalhasse — elencou Obino Filho
No entanto, o presidente do Ibraoliva lembra que é um ano atípico e que é preciso que o setor invista em pesquisa para que a produção se mantenha em crescimento nos próximos anos.
No paladar, a sommelier e expert em azeite de oliva Chania Chagas diz que o consumidor encontrará um produto diferenciado:
— É um azeite intenso, porque os produtores geralmente optam por fazer a colheita com a azeitona bem verde. É mais adstringente, tem amargor e uma leve picância.
Já o preço deve se manter estável neste ano, similar aos anteriores.
— Mas a lei da oferta e da procura que ditará o mercado — pondera Obino.
Saiba mais
- Atualmente, o azeite de oliva gaúcho e brasileiro, que é considerado premium, por ser extravirgem, é consumido por apenas 2% a 3% da população.
- São 340 produtores só no Estado, 550 em todo o Brasil.



