
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Com a autorização da Anvisa em mãos, a Embrapa aguarda agora a liberação de recursos para dar início às pesquisas com cannabis no Brasil. Na única unidade gaúcha habilitada — a Embrapa Clima Temperado, em Pelotas — os estudos devem se concentrar no melhoramento genético da planta, com foco no desenvolvimento de produtos medicinais, além do manejo fitossanitário.
Hoje, todo o cultivo de cannabis no país depende de mudas ou sementes importadas. A ideia com o estudo no Rio Grande do Sul é justamente reduzir essa dependência, explica Beatriz Emygdio, pesquisadora da Embrapa Clima Temperado e representante da instituição no Grupo de Trabalho de Regulamentação Científica da Cannabis:
— Se formos desenvolver uma cadeia produtiva da cannabis, é importante desenvolvermos também materiais genéticos adaptados às condições edafoclimáticas brasileiras (interação entre as características do solo e do clima).
A liberação dos recursos também é condição para cumprir o protocolo de segurança exigido pela Anvisa antes do início dos estudos. Entre as medidas previstas estão a instalação de câmeras para monitoramento 24 horas nos laboratórios e a criação de áreas exclusivas para o cultivo da planta — diferentemente do que ocorre com outras culturas, que costumam compartilhar espaços em unidades da instituição.
Além disso, a cada três meses será necessário apresentar relatórios à agência reguladora, com detalhamento das atividades realizadas, da quantidade de plantas manipuladas e das projeções para o período seguinte.
Ao todo, quatro unidades da Embrapa, incluindo a gaúcha, aguardam a liberação de R$ 13,2 milhões, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para iniciar os trabalhos. No entanto, ainda não há previsão. São elas: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília; a Embrapa Algodão, na Paraíba; e a Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza. Cada uma estudará aspectos diferentes da cultura, com potencial para beneficiar diversos segmentos do setor produtivo, como as indústrias farmacêutica, cosmética e têxtil, entre outras. A equipe reúne cerca de 35 pesquisadores e técnicos.



