
Com a meta de fazer o cooperativismo, em seus sete ramos, alcançar R$ 150 bilhões em faturamento até 2030, o Sistema Ocergs/Sescoop-RS reconduziu Darci Hartmann à presidência. A confirmação veio em eleição realizada em Assembleia Geral na Casa do Cooperativismo do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Em conversa com a coluna, ele falou sobre os desafios para a gestão no período 2026/2030. Confira abaixo trechos da entrevista.
Quais são os grandes desafios do cooperativismo para o período?
Trabalhamos nos últimos quatro anos muito forte o alinhamento estratégico, a profissionalização do sistema, das cooperativas. E entendemos que agora precisamos avançar muito forte nessa questão de resiliência, estruturação e cuidar muito o fluxo de caixa. Porque estamos saindo de um período, principalmente no agro, de quatro anos de seca, de enchentes. Neste ano, estamos em um período pré-eleitoral que gera muita turbulência. Em 2027, no pós-eleição, haverá uma série de ajustes, e a recomendação para as cooperativas é que cuidem do caixa, da administração dos recursos financeiros. Os investimentos terão de ser feitos com muito critério e (quando forem) absolutamente necessários para que possamos fazer essa travessia 2026, 2027.
Há cooperativas que entraram em liquidação extrajudicial após dificuldades financeiras. Que papel cabe ao sistema nesse cenário?
A cooperativa é uma extensão do produtor. Quando ele está em dificuldade, a cooperativa sente muito isso. Teve cooperativas que, no primeiro ano da seca, fizeram renegociação dos débitos, nunca esquecendo que 30% de toda a alavancagem financeira do produtor vem das cooperativas. E aí houve renegociações no primeiro, no segundo ano, e isso virou uma bola de neve, que depois os produtores tiveram grandes dificuldades de se colocar em dia ou de pagar essas dívidas junto às cooperativas. E essa bola de neve ainda não está equacionada. Muitas cooperativas tiveram essa grande dificuldade e hoje ainda têm esse passivo muito aberto, muito exposto. Estamos fazendo um acompanhamento às cooperativas, buscando que se exponham cada vez menos, deixando o financiamento para as cooperativas de crédito e entidades entidades financeiras, os bancos. Não temos, pela lei cooperativa, condições de intervir.
Explica melhor por quê...
O princípio de autogestão pressupõe que a cooperativa tem autodeterminação e quem decide o futuro dela, faz as decisões estratégicas é a Assembleia, por meio dos associados. E a Ocergs não tem nenhum instrumento legal para uma intervenção. O que podemos é acompanhar, sugerir, chamar conselho...temos feito essas coisas todas. Mas acreditamos que agora o pior já passou, precisamos ainda fazer essa travessia de 2026, 2027, que será desafiador.
O que pode ser melhorado para evitar novas crises?
O primeiro passo, agora, é buscar o equilíbrio econômico-financeiro das cooperativas para que possam gerar o equilíbrio de caixa e, principalmente, retornar esses recursos que foram aplicados e alcançados por seus produtores. A partir desse momento, teremos de pensar em escala do cooperativismo, pensar no tamanho, no tipo da atividade. E trabalharemos as alianças estratégicas de negócios. No futuro, algumas cooperativas poderão até pensar em se unir. E quando tivermos escalas, precisamos trabalhar muito forte na questão da industrialização. Não se concebe mais que o cooperativismo do Rio Grande do Sul só compre grãos, venda insumos ou compre insumos e venda grãos. Temos que migrar para um processo industrial, agora é muito importante deixar muito claro que essa migração só pode acontecer quando as cooperativas estiverem bem capitalizadas.


