
As dificuldades enfrentadas pelos produtores do RS se refletem também nas cooperativas agropecuárias. Produtor, vice-presidente e diretor comercial da Cotrissoja, Adriano Borghetti acaba de assumir a presidência da Federação das Cooperativas do Estado (Fecoagro-RS). A coluna conversou com ele sobre o momento atual e as perspectivas. Veja trechos abaixo.
O que já se pode avaliar sobre a próxima safra de inverno do RS?
Primeiro, quero falar sobre a canola, uma alternativa de diversificação. Em muitos anos, ficou com uma área plantada em torno de 45 mil hectares no Estado. De 2021 a 2025 subiu para 200 mil hectares. E de 2025 para 2026, tem uma estimativa de dobrar a área. O trigo tem uma história muito forte e dentro da diversificação é fundamental. No ano passado, tivemos uma área em torno de 1,15 milhão de hectares. Neste, está se estimando uma redução de 15%, ficando em torno de 900 mil hectares.
Quais os principais desafios enfrentados pelas cooperativas agropecuárias?
Precisamos refletir e trazer alguns dados de estimativa versus o que foi produzido no RS nos últimos cinco anos. Enfrentamos seca, enchentes e, só na soja, foram em torno de 30 milhões de toneladas que ficaram para trás. É um número relevante, impacta não só no sistema cooperativo, no cooperado, mas também em todo o setor agropecuário gaúcho. Os produtores, também nos últimos anos, com a taxa de juros e custos elevados, acabaram vindo para dentro das cooperativas buscar crédito, apoio. E como ele é o proprietário, as cooperativas sempre avaliam e procuram ajudar. Esse movimento é um ciclo que está durando há anos, mas que precisamos nos preparar, encarar.
Como a Fecoagro pode atuar?
Conseguimos fazer alguns movimentos importantes em relação a trazer recursos em 2024, diante das enchentes, repassar para produtores. E outros integrados via sistema, com intercooperações, trazendo informações. E tem também movimentos de intercooperação para gerar valor agregado.
Temos visto algumas cooperativas sucumbirem a crises. Como ajudar na gestão?
Com o Sistema Ocergs/Sescop-RS, tem um programa de autogestão para avaliar dados. Tem toda orientação, acompanhamento dos movimentos, mas claro, individualmente, cada cooperativa tem suas diretrizes. Precisamos respeitar, mas via sistema sempre é trabalhada a questão de gestão, sustentabilidade, para estar sempre preparado. O sistema precisa estar preparado para enfrentar essas dificuldades.





