
Se a transição energética para o etanol tem sido testada a campo e direcionado lançamentos das fabricantes em feiras, por que ainda não se vêm máquinas agrícolas com esse combustível "rodando" no mercado? A dúvida cresce quando se olha para a indústria automobilística: os carros flex estão nas ruas há mais de 20 anos.
A resposta está na diferença técnicas dos motores, explica Bernardo Brandão, presidente para a América Latina da FPT. O que é a diesel não tem vela de ignição, como no caso da gasolina dos carros. A combustão ocorre por compressão.
— É uma transição muito mais complexa. Você sair do motor de que trabalha com diesel, para levá-lo ao ciclo de Otto, que é muito mais próximo do da gasolina. São mundos diferentes de tecnologias de motores — explica Brandão.
Das empresas que colocaram na vitrine da Agrishow protótipos e modelos movidos a etanol, Valtra e Massey Ferguson, ambas do grupo AGCO, já têm data estimada para o início das vendas no mercado: 2028. Projeção que chega com mais de 10 mil horas de teste acumuladas. Fabio Dotto, diretor de marketing de produto Valtra/Fendt reforça que a primeira diferença em relação à revolução viabilizada nos automóveis é de estrutura de motor.
— A segunda, está relacionada a níveis e curvas de potência. Torque e potência, é diferente. Tudo isso tem de ser trabalhado para se ajustar e tirar o que tem de melhor do motor — completa o diretor.
São "ajustes finos" que podem levar a transformações gigantes quando o assunto é a redução da emissão de gases poluentes. A expectativa é de uma redução de até 90% de CO2 equivalente.





