
A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A um mês de um encontro marcado no Vale do Caí, a nova regra para o morango no Brasil tem gerado repercussões na agricultura familiar. Em vigor desde fevereiro, a portaria nº 886/2026 do Ministério da Agricultura estabelece critérios mais rígidos para classificação, embalagem e rotulagem da fruta, seguindo parâmetros do Mercosul. De acordo com o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Eugênio Zanetti, a principal preocupação do setor é o grau de exigência da norma:
— É muito restritiva, muito burocrática, e pode trazer dificuldade para os agricultores.
Entre as exigências estão a padronização por tamanho, limites para defeitos nos frutos e tolerância de apenas 3% no peso das embalagens. Na prática, produtores teme aumento no custo de produção no período de pós-colheita. A separação por calibre e categoria exige mais tempo e mais mão de obra — um gargalo em regiões onde o trabalho é predominantemente familiar. Além disso, o maior manuseio preocupa em uma cultura marcada pela delicadeza.
O assunto será pauta de reunião prevista para maio, com a presença de técnicos do Ministério na região considerada o principal polo produtor do Estado. O encontro foi articulado após pressão de lideranças rurais em Brasília na semana passada, com Zanetti e os deputados Heitor Schuch e Elton Weber.
Do lado do governo, o argumento é de alinhamento a padrões do Mercosul e de busca por maior transparência e qualidade na comercialização. Por ora, a Secretaria de Defesa Agropecuária informou que não há fiscalização em curso nem aplicação de multas, o que abre espaço para negociação.


