
Com 25 anos de história, a indústria de laticínios Friolack, com sede em Chapada, no norte do Estado, entra agora naquele que espera ser o capítulo da superação. Com um passivo estimado em R$ 200 milhões, o Grupo Milk Way (que contempla laticínios, transporte e holding) entrou com um pedido de recuperação judicial no Juizado Regional Empresarial da Comarca de Passo Fundo. Aumento de receita, desinvestimentos, redução de despesas e alongamento das dívidas estão na listas das medidas a serem adotadas.
E que não incluem, segundo os dirigentes, ajustes na estrutura de 400 funcionários e 600 fornecedores de leite. Uma combinação de fatores fez com que a marca decidisse buscar agora o pedido de recuperação judicial, que aguarda o deferimento da Justiça.
— É uma decisão que ninguém quer tomar — afirma Cristiano Giacomini, diretor da Friolack, sobre a decisão do pedido de RJ.
A história da empresa familiar começou pelas mãos do fundador Delcio Giacomini, em Não-Me-Toque. A distribuição e venda de queijos começou ainda na década de 90. E em 2001 ganhou forma concreta a partir da industrialização. E mudou de endereço, para Chapada, quatro anos depois.
— Comprei uma indústria, tínhamos entre 60 e 70 produtores. Fomos evoluindo, hoje temos 600 — conta Delcio.
A expansão veio com investimentos e um portfólio que tem no queijo fatiado um dos carros-chefes, com uma fatia de 25% desse mercado. Os resultados operacionais foram bons até 2023, acrescenta Cristiano.
A gota d'água, ou melhor, a enchente, veio em 2024 e só de estoque resultou em um prejuízo de R$ 27 milhões — os produtos eram armazenados na Friozem, em Esteio, que ficou alagada e um mês sem funcionar. Outros R$ 11 milhões em inteligíveis se somaram à conta.
— Todo o nosso estoque estava ali — lamenta o diretor da Friolack.
Com o segmento de lácteos vivendo um momento desafiador, com margens apertadas, e um cenário de juros elevados, criou-se um combo de dificuldades que culminou com o pedido de RJ.
Estoques
Após a publicação, a empresa Friozem procurou a coluna para se manifestar acerca do estoque da Friolack no ano da enchente. E afirmou que "era de aproximadamente R$ 2 milhões". Acrescentou que "parte desse volume foi posteriormente retirada pelo próprio cliente. Permaneceram cerca de R$ 700 mil em estoque, sendo que a Friozem, em parceria com o cliente, realizou a indenização de parte desse valor".
O Grupo Milk Way, por sua vez, informou que "é possível que o valor de R$ 2 milhões mencionado pela Friozem se refira ao montante para fins de transferência contábil do estoque da fábrica para a unidade, não correspondendo ao valor efetivo de mercado ou de comercialização dos produtos armazenados".
Acrescentou que "na prática, o estoque mantido no centro de distribuição era de aproximadamente R$ 27 milhões, considerando seu valor real de venda". E reforçou "que todas as informações estão devidamente documentadas e refletem os dados oficiais da empresa".




